Antigo e Novo Testamento: o que são e como se relacionam

Antigo e Novo Testamento, o que são? Entenda o que significa testamento, como as duas partes da Bíblia se relacionam e por que não são dois Deuses.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 6 min

O Antigo Testamento é a primeira parte da Bíblia: os 39 livros que contam a criação, a escolha de Israel, a Lei e a promessa de um Salvador. O Novo Testamento é a segunda parte, com 27 livros que mostram esse Salvador chegando, Jesus Cristo, e o nascimento da igreja. As duas partes formam uma só história, com um só Deus, e não dois projetos diferentes. Este artigo explica o que cada uma contém e como se encaixam.

O que significa "testamento"?

Na linguagem comum, testamento é o documento que distribui os bens de alguém depois da morte. Na Bíblia, a palavra traduz um termo que significa aliança ou pacto: um compromisso solene que Deus estabelece com o seu povo. Quando se diz "Antigo Testamento", pensa-se em "antiga aliança", e "Novo Testamento" é a "nova aliança".

Um pacto, na linguagem bíblica, é diferente de um contrato entre iguais. É Deus quem toma a iniciativa, define os termos e se compromete a cumprir o que promete. Ele diz a Abraão que o fará pai de uma grande nação e que nele serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 12.1-3), e sela o compromisso com o seu povo ao longo dos séculos.

A própria ideia de uma nova aliança já aparece no Antigo Testamento. O profeta Jeremias anuncia: "Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei nova aliança com a casa de Israel" (Jeremias 31.31). E na última ceia Jesus toma o cálice e diz: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lucas 22.20).

O que contém o Antigo Testamento?

São 39 livros escritos principalmente em hebraico, com pequenas partes em aramaico, ao longo de muitos séculos. Eles contam como Deus criou o mundo, como o pecado entrou nele e como Deus escolheu um povo para, por meio dele, trazer a salvação. Costumam ser agrupados assim:

  • Lei ou Pentateuco (5 livros): Gênesis a Deuteronômio.
  • Livros históricos (12): de Josué a Ester.
  • Livros poéticos e de sabedoria (5): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares.
  • Profetas (17): cinco maiores e doze menores.

A divisão em categorias e a razão de os livros estarem nessa ordem são tratadas em quantos livros tem a Bíblia e como estão organizados.

O Antigo Testamento não é só pré-história do cristianismo. É a Palavra de Deus que o próprio Jesus lia, citava e obedecia. Quando o Novo Testamento diz "as Escrituras", refere-se, na maioria das vezes, a estes livros.

O que contém o Novo Testamento?

São 27 livros, escritos em grego no primeiro século depois de Cristo:

  • 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, que narram a vida, a morte e a ressurreição de Jesus.
  • Atos dos Apóstolos: o início da igreja.
  • 21 cartas: treze atribuídas a Paulo, a carta aos Hebreus e as chamadas cartas gerais (Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas).
  • Apocalipse: a visão do fim da história e da vitória de Cristo.

Os evangelhos são tratados em detalhe em o que são os evangelhos e por que são quatro.

Como as duas partes se relacionam?

Esta é a pergunta mais importante, e a resposta bíblica é: promessa e cumprimento. O Antigo prepara, o Novo realiza. Jesus disse aos discípulos que tudo o que estava escrito a seu respeito "na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos" precisava cumprir-se (Lucas 24.44). O autor de Hebreus abre sua carta dizendo que Deus, "havendo antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias falou-nos pelo Filho" (Hebreus 1.1-2).

Alguns exemplos desse movimento:

No Antigo Testamento No Novo Testamento
Sacrifícios no templo O sacrifício único de Cristo (Hebreus 10)
A promessa feita a Abraão Cumprida em Cristo e naqueles que creem (Gálatas 3.16,29)
Um profeta como Moisés (Deuteronômio 18) Jesus, o profeta definitivo
A promessa de um rei da linhagem de Davi Jesus, o Filho de Davi

Por isso a tradição reformada fala de uma só aliança da graça em duas administrações: a promessa antes da vinda de Cristo e a sua realização depois. A Confissão de Fé de Westminster expõe isso no capítulo 7. Não é que Deus mudou de ideia: a forma de administrar a aliança mudou, mas o Salvador é o mesmo.

O Deus do Antigo Testamento é diferente do Deus do Novo?

Uma ideia popular diz que o Deus do Antigo Testamento é severo, e o do Novo, amoroso. Isso não é fiel à Bíblia. O Antigo Testamento está cheio de misericórdia: "O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade" (Êxodo 34.6). E o Novo Testamento fala de juízo com seriedade, e o próprio Jesus fala do inferno mais do que qualquer outro autor.

É o mesmo Deus, santo e amoroso, em ambos os testamentos. A diferença é de revelação: no Novo, vemos com mais clareza aquilo que antes estava em sombra. Em Cristo, o Verbo que "se fez carne" (João 1.14), a revelação chega à plenitude.

Preciso mesmo ler o Antigo Testamento?

Sim. O Novo Testamento é incompreensível sem ele. Palavras como "cordeiro", "sacerdote", "templo", "reino", "Messias" e "aliança" só fazem sentido à luz do Antigo. Paulo diz que o que foi escrito antes foi escrito "para o nosso ensino, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Romanos 15.4).

Isso não significa que o cristão deva ler o Antigo Testamento como se estivesse debaixo da mesma administração de Israel. Há, por exemplo, leis cerimoniais, como sacrifícios e festas, que se cumpriram em Cristo, e leis civis dadas a Israel como nação. A maneira como a igreja distingue essas coisas está em o que é a Lei na Bíblia.

Para quem começa, uma ordem prática de leitura está em por onde começar a ler a Bíblia.

E os livros entre os dois testamentos?

Os cristãos protestantes, incluindo a Igreja Presbiteriana do Brasil, reconhecem como Escritura os 66 livros. Existem outros escritos judaicos do período entre os testamentos, conhecidos como livros apócrifos, que algumas tradições cristãs incluem em suas Bíblias. A posição reformada é que eles podem ter valor histórico, mas não são inspirados nem fazem parte do cânon. O assunto é tratado com mais detalhe em como a Bíblia chegou até nós.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o Antigo e o Novo Testamento?

O Antigo Testamento mostra a criação, a queda, a escolha de Israel, a Lei e as promessas de um Salvador. O Novo mostra o cumprimento dessas promessas em Jesus Cristo e a formação da igreja. As duas partes têm o mesmo Deus e a mesma mensagem central.

O Antigo Testamento ainda vale para os cristãos?

Sim. É Palavra de Deus e continua a ensinar sobre Deus, o pecado e a salvação. O que mudou foi a administração: as leis cerimoniais se cumpriram em Cristo, e as leis civis eram próprias de Israel como nação. A lei moral permanece.

Quantos livros tem o Antigo e o Novo Testamento?

O Antigo Testamento tem 39 livros, e o Novo, 27, totalizando 66 livros.

Por que se chamam testamentos?

Porque a palavra traduz o termo bíblico para aliança ou pacto, o compromisso solene que Deus faz com o seu povo. O Antigo é a antiga aliança, preparatória, e o Novo é a nova aliança, selada pelo sangue de Cristo.