O que é um sínodo e o que é um presbitério na IPB

O que é um sínodo e o que é um presbitério? Veja o que cada concílio faz, quem participa, como se relacionam e por que importam para a igreja local.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 6 min

Um presbitério é o concílio que reúne os pastores e os representantes das igrejas presbiterianas de uma região, para ordenar ministros, organizar igrejas, julgar recursos e acompanhar o trabalho de cada congregação. Um sínodo é o concílio de nível seguinte, formado por representantes de vários presbitérios, que coordena o trabalho numa área maior e revisa as decisões dos presbitérios. Na Igreja Presbiteriana do Brasil, esses dois concílios ficam entre o Conselho da igreja local e o Supremo Concílio, e dão a forma ao que se chama de governo presbiteriano.

Se a visão geral das quatro instâncias é o assunto de como a IPB está organizada, este texto detalha as duas do meio: o que cada uma faz e como atuam no dia a dia.

O que significa a palavra "presbitério"?

Além de designar o concílio, a palavra vem do grego presbytérion, que significa "grupo de anciãos". Aparece em 1 Timóteo 4.14: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério". É dessa passagem que os presbiterianos tiram a ideia de que a ordenação de ministros é ato de um colegiado de presbíteros, e não de um indivíduo. O termo se relaciona com a origem do nome da igreja, explicada em o significado da palavra presbiteriano.

Quem compõe um presbitério?

Em linhas gerais, o presbitério é formado por:

  • Todos os pastores ligados às igrejas e aos trabalhos da região;
  • Presbíteros representantes, em geral um por igreja, escolhidos pelos conselhos locais.

Há, assim, equilíbrio entre quem foi ordenado ao ministério da palavra e os presbíteros que governam as igrejas. Nenhum grupo decide sozinho. As reuniões acontecem em períodos definidos, com pauta, relatórios e votações regulares.

O que um presbitério faz?

É o concílio de maior contato com o ministério pastoral. As principais atribuições são:

  1. Examinar e ordenar candidatos ao ministério. O presbitério aprova a formação e a vocação de quem deseja ser pastor, como se descreve em como se forma um pastor presbiteriano.
  2. Receber e transferir pastores, e acompanhar sua vida e doutrina.
  3. Organizar novas igrejas e congregações, e ajudar as pequenas a se manterem.
  4. Visitar e orientar os conselhos, revisando as atas e a vida das igrejas.
  5. Julgar recursos e questões disciplinares que lhe cheguem das igrejas locais.
  6. Promover a missão e a evangelização na sua região.

Quando uma igreja local atravessa uma crise, ou quando um pastor enfrenta uma acusação, o presbitério é a instância que acompanha e julga o caso, de acordo com a constituição.

O que um sínodo faz?

O sínodo reúne representantes dos presbitérios de uma área mais ampla. Suas funções incluem:

  • Revisar as atas e decisões dos presbitérios, apontando falhas;
  • Julgar recursos de decisões tomadas pelos presbitérios;
  • Coordenar o trabalho comum de sua região, como projetos de missão, educação e assistência;
  • Cuidar de questões que envolvem mais de um presbitério, como conflitos de limites;
  • Servir de elo entre os presbitérios e o Supremo Concílio.

É um nível de cooperação e de revisão que dá consistência ao conjunto. O sínodo não substitui o presbitério no acompanhamento das igrejas, mas supervisiona a vida dos presbitérios.

Em que se diferenciam?

Aspecto Presbitério Sínodo
Quem reúne Pastores e presbíteros representantes das igrejas Representantes de vários presbitérios
Âmbito Região de igrejas próximas Área maior, que abrange vários presbitérios
Foco principal Ordenação, igrejas e pastores Revisão, coordenação e recursos
Contato com a igreja local Direto e frequente Indireto, por meio dos presbitérios

Uma regra simples: o presbitério cuida das igrejas e dos pastores; o sínodo cuida dos presbitérios.

Esses concílios têm base bíblica?

Os presbiterianos apontam o texto de Atos 15. Diante de uma controvérsia sobre a entrada dos gentios na igreja, "reuniram-se os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão" (Atos 15.6). A decisão foi comunicada às igrejas, que "se alegraram pela exortação" (Atos 15.31). Ali se vê:

  • uma questão que afetava várias igrejas, tratada em assembleia;
  • a participação de presbíteros e apóstolos;
  • uma decisão com autoridade aceita pelas comunidades.

Reconhece-se, porém, que a Bíblia não descreve todos os detalhes de uma estrutura com presbitério e sínodo. É uma aplicação do princípio, e há igrejas cristãs que entendem de modo diferente o governo da Igreja, como se vê em a diferença entre presbiteriana e batista.

O que isso significa para quem frequenta uma igreja?

Para o membro, o presbitério e o sínodo costumam parecer distantes, mas trazem benefícios:

  • Segurança doutrinária. O pastor da sua igreja presta contas ao presbitério.
  • Proteção contra abusos. Uma decisão injusta de um conselho pode ser revista.
  • Cooperação. Igrejas pequenas recebem apoio das maiores.
  • Unidade. A igreja local não é uma ilha, mas parte de um corpo.

Se você tiver dúvidas sobre a vida da igreja, o primeiro passo é conversar com o pastor, e as formas de contato estão em fale conosco.

O que a doutrina reformada tem a ver com os concílios?

Os concílios não são só uma tradição administrativa: expressam convicções do ensino reformado e calvinista. A depravação total ensina que o pecado atinge todos, inclusive pastores e presbíteros, e por isso nenhuma decisão pode escapar de revisão. A Confissão de Westminster reconhece que os concílios, sínodos e presbitérios podem errar, e que sua autoridade se limita a decidir de acordo com a Palavra. A soberania de Deus e o senhorio de Cristo sobre a igreja lembram que a autoridade desses colegiados é ministerial, isto é, de serviço, e não própria.

A regra de culto também aparece: o presbitério examina que o ensino e a prática das igrejas estejam de acordo com a Escritura. E a teologia do pacto, ao ver a igreja de todos os tempos como um só povo da aliança, explica por que as igrejas locais se unem em concílios, e não se tratam como ilhas. Outras tradições cristãs organizam suas igrejas de forma diferente, e isso não impede a comunhão no evangelho.

Como é uma reunião de presbitério?

Para quem nunca viu, a reunião de um presbitério é parecida com uma assembleia ordenada. Começa com oração e leitura da Palavra, segue com a verificação dos presentes e a leitura da pauta e das atas. Os relatórios das igrejas são apresentados, os pedidos de ordenação ou de transferência de pastores são examinados, e as questões levadas pelos conselhos são votadas. Tudo costuma ser registrado em ata, e os documentos podem ser revistos por instâncias superiores.

O tom é de trabalho em equipe e de responsabilidade perante Deus. Os que participam entendem que estão decidindo sobre a vida de comunidades reais, e que a Palavra é a medida. Em casos de disciplina, o processo exige cuidado, defesa e oportunidade de recurso, para que a justiça se faça sem pressa nem vingança (Mateus 18.15-17). Esse rigor ordenado é uma das marcas do governo presbiteriano.

Perguntas frequentes

Presbitério e sínodo são a mesma coisa?

Não. O presbitério reúne pastores e presbíteros de igrejas de uma região. O sínodo reúne representantes de vários presbitérios e está acima deles.

Quem tem mais autoridade, o presbitério ou o conselho da igreja?

O presbitério está acima do conselho e pode revisar suas decisões, mas apenas nos assuntos e pelos meios previstos na constituição da IPB. O conselho governa a vida diária da igreja local.

Um pastor pertence a uma igreja ou ao presbitério?

Ele serve a uma igreja local, mas sua vinculação formal como ministro é ao presbitério, que o ordena, o recebe e o acompanha.

Quantas vezes por ano se reúnem esses concílios?

Cada concílio tem seu calendário de reuniões ordinárias, definido pela constituição e por suas próprias normas. Podem ocorrer reuniões extraordinárias quando necessárias.