Como a IPB está organizada — Conselho, presbitério e sínodo

Como a IPB está organizada? Entenda a estrutura em quatro níveis, da igreja local ao Supremo Concílio, e como cada instância decide e se relaciona.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

Como a IPB está organizada? A Igreja Presbiteriana do Brasil se estrutura em quatro níveis de concílios, cada um com funções próprias: o Conselho da igreja local, o Presbitério, o Sínodo e o Supremo Concílio. O princípio é que nenhuma igreja, pastor ou presbítero governa sozinho: as decisões são tomadas por colegiados, e as instâncias superiores revisam e apoiam as inferiores. É o chamado governo presbiteriano representativo.

Esse desenho tem fundamento na Bíblia e na história da Igreja. Em Atos 15, os apóstolos e presbíteros se reuniram em Jerusalém para decidir uma questão que afetava várias igrejas, e a decisão foi levada às comunidades como orientação para todos (Atos 15.22-29). Os presbiterianos veem ali um modelo de concílio.

O que é um concílio na tradição presbiteriana?

Concílio é uma assembleia de presbíteros, ou seja, de pastores e presbíteros regentes, reunida para governar e decidir. Ele não é uma "diretoria" empresarial: sua autoridade é ministerial, exercida em nome de Cristo e limitada pela Bíblia e pela constituição da igreja. Cada concílio tem competência sobre certos assuntos e responde ao superior.

Quais são os quatro níveis?

A tabela dá o quadro geral.

Nível Quem o compõe Âmbito
Conselho Pastor(es) e presbíteros da igreja local Uma igreja
Presbitério Pastores e representantes das igrejas de uma região Várias igrejas de uma região
Sínodo Representantes dos presbitérios de uma área maior Vários presbitérios
Supremo Concílio Representantes de todos os sínodos Toda a IPB no país

Quanto mais acima, mais amplo o território, mas as questões de cada nível ficam, em regra, com o concílio adequado a elas.

O que faz o Conselho da igreja local?

O Conselho é o governo imediato da igreja. Pastor e presbíteros decidem sobre a vida espiritual da congregação:

  • Receber e disciplinar membros, com base na fé e na conduta cristã;
  • Orientar o culto e o ensino da igreja;
  • Cuidar das pessoas, com visitas e aconselhamento;
  • Supervisionar os diáconos e as sociedades internas;
  • Zelar pela doutrina, garantindo que o ensino siga a Bíblia.

Os diáconos cuidam dos aspectos de assistência e de administração prática, mas as decisões espirituais cabem ao Conselho. A assembleia dos membros elege presbíteros e diáconos e trata de assuntos específicos, como orçamento e eleições.

O que faz o Presbitério?

O presbitério reúne os pastores de uma região e representantes das igrejas, geralmente presbíteros. É o concílio mais importante para a vida pastoral, porque é nele que:

  • pastores são examinados, ordenados e recebidos;
  • novas igrejas são organizadas;
  • processos disciplinares e recursos das decisões de conselhos são julgados;
  • os pastores são acompanhados e fiscalizados em sua doutrina e conduta.

Para entender essa instância e o sínodo em profundidade, leia o que é um sínodo e o que é um presbitério.

O que faz o Sínodo?

O sínodo reúne representantes dos presbitérios de uma área mais ampla e funciona como instância de coordenação e revisão. Ele examina as decisões dos presbitérios, trata de questões regionais e promove o trabalho comum da igreja em sua região, como a missão e a educação teológica.

O que faz o Supremo Concílio?

É a instância máxima da IPB. Seus representantes vêm dos sínodos e reúnem-se periodicamente para tratar de assuntos que dizem respeito a toda a denominação: a constituição, a doutrina, a ordem do culto, as relações com outras igrejas e as grandes decisões institucionais. Ele julga, em última instância, recursos que chegam do nível inferior.

Como as decisões sobem e descem?

Existe um caminho previsto na constituição:

  1. A igreja local decide dentro de sua competência.
  2. Se alguém discordar de uma decisão do Conselho, pode recorrer ao presbitério, e depois ao sínodo e ao Supremo Concílio, quando cabível.
  3. Decisões gerais, como mudanças na constituição, passam por consulta aos presbitérios.
  4. As resoluções dos concílios superiores orientam as igrejas locais, que as aplicam em sua realidade.

O sistema protege as pessoas contra o arbítrio. Um membro que se sinta injustiçado não fica restrito à palavra de uma única pessoa, e um pastor que se desvie da doutrina é acompanhado por seus pares.

Por que a IPB prefere esse modelo?

Há três razões principais.

  • Cristo é o cabeça da Igreja, e nenhum homem deve ocupar esse lugar (Efésios 1.22-23).
  • A Bíblia mostra pluralidade de presbíteros nas igrejas (Atos 14.23; Tito 1.5).
  • A experiência histórica mostra o risco de poder concentrado em uma pessoa e a vantagem de contrapesos.

O modelo não garante ausência de falhas, porque os presbíteros também são pecadores. Mas oferece instrumentos para corrigi-las. A ideia geral do sistema está em o que é uma igreja presbiteriana, e a denominação em o que é a Igreja Presbiteriana do Brasil.

Como isso aparece na vida de quem frequenta?

Para o visitante ou membro, a estrutura aparece de modo simples: o pastor e os presbíteros da igreja local são as pessoas a quem se recorre para orientação espiritual. Quem quiser saber como uma igreja se organiza pode perguntar ao pastor, e as informações práticas da igreja estão em fale conosco.

Como esse governo se liga à doutrina reformada?

A organização em concílios não é só prática administrativa: decorre da teologia reformada e calvinista da igreja. A doutrina da depravação total ensina que o pecado atinge todos, inclusive os líderes, e por isso o poder é dividido e sujeito a revisão. A soberania de Deus e o senhorio de Cristo sobre a igreja impedem que algum homem ou concílio ocupe o lugar de cabeça. A Confissão de Westminster afirma, com humildade, que os concílios podem errar e que só a Escritura é regra infalível, de modo que toda decisão deve ser submetida à Palavra.

Por fim, a regra de culto se reflete na ordem da igreja: o que se faz na adoração e no governo deve ter apoio na Escritura, e cabe aos presbíteros zelar por isso. A teologia do pacto, que une a igreja de todas as épocas em uma só aliança da graça, explica também por que as igrejas locais não são ilhas, e sim partes de um mesmo corpo. Cristãos de outras tradições organizam suas igrejas de outro modo, com base em leituras diferentes do Novo Testamento, e isso é respeitado.

E quem participa dos concílios?

Uma pergunta frequente é se os membros comuns têm voz nesse sistema. Têm: a congregação elege os presbíteros e diáconos que a representam, e esses presbíteros, por sua vez, são os delegados que participam do presbitério e, quando escolhidos, do sínodo e do Supremo Concílio. É por isso que o governo se chama representativo: ninguém chega a um concílio por conta própria, e sim por escolha de uma igreja.

Isso tem uma consequência prática. As grandes decisões da denominação carregam a voz de muitas congregações, e não de uma elite distante. Ao mesmo tempo, os delegados não decidem por opinião, mas conforme a Bíblia e a constituição. Quem quiser entender melhor o que o presbítero faz no dia a dia pode ler o que é uma igreja presbiteriana, e quem quiser conhecer a doutrina que orienta tudo isso, a seção o que cremos.

Perguntas frequentes

O pastor manda na igreja presbiteriana?

Não de forma individual. O pastor é um presbítero entre presbíteros e governa em conjunto com o Conselho. Ele prega, ensina e administra os sacramentos, mas as decisões de governo são colegiadas e sujeitas a instâncias superiores.

Quem escolhe os presbíteros?

A congregação. Os membros elegem os presbíteros e diáconos, e depois eles são examinados, ordenados e instalados conforme a constituição da igreja.

O que acontece se o Conselho erra?

Há instâncias de revisão. Quem se sentir prejudicado pode recorrer ao presbitério, e o processo segue os trâmites previstos pela constituição da IPB.

Quantos níveis de concílio existem na IPB?

Quatro: Conselho, Presbitério, Sínodo e Supremo Concílio. Cada um tem funções próprias e responde ao nível acima.