Diferença entre presbiteriana e batista — doutrina e prática

Qual a diferença entre igreja presbiteriana e batista? Compare batismo, governo da igreja e doutrina, reconhecendo o que há em comum entre elas.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

A diferença entre presbiteriana e batista está sobretudo em duas áreas: o batismo e o governo da igreja. Os presbiterianos batizam também os filhos de pais crentes e são governados por presbíteros em concílios que ligam as igrejas entre si. Os batistas batizam apenas quem professa a fé, por imersão, e cada igreja local é autônoma. No restante, as duas tradições são próximas: ambas são protestantes, ambas veem a Bíblia como a Palavra de Deus e ambas ensinam a salvação pela graça mediante a fé em Cristo.

Este texto procura descrever as diferenças com precisão e respeito. Quem é batista ou presbiteriano nesta comparação pertence a uma família cristã que se reconhece mutuamente como parte do povo de Deus.

O que presbiterianos e batistas têm em comum?

Muito mais do que se imagina. As duas tradições afirmam:

  • A autoridade das Escrituras como regra de fé e prática.
  • A Trindade: um só Deus em Pai, Filho e Espírito Santo.
  • A divindade e a ressurreição de Cristo.
  • A salvação pela graça, e não por obras (Efésios 2.8-9).
  • A importância da pregação, da oração e da missão.
  • Os dois sacramentos ou ordenanças: batismo e Ceia do Senhor.

Muitos batistas, inclusive, se identificam com a teologia reformada, e há batistas que usam como base de fé uma confissão muito parecida com a de Westminster. Por isso, a conversa entre as duas denominações costuma ser de irmãos.

Qual é a diferença sobre o batismo?

É o ponto mais conhecido.

Entre presbiterianos, o batismo é sinal da aliança de Deus com seu povo. Como Deus sempre incluiu os filhos nas promessas feitas aos pais (Gênesis 17.7; Atos 2.39), a igreja batiza adultos que professam a fé e crianças filhas de crentes. O modo pode ser por aspersão ou afusão (derramar água). Quando crescem, os filhos batizados são chamados a professar a fé publicamente. Os presbiterianos veem um paralelo com a circuncisão do Antigo Testamento, aplicada aos filhos (Colossenses 2.11-12).

Entre batistas, o batismo é o testemunho público de quem já creu. Por isso é administrado somente a quem faz profissão de fé, e por imersão (mergulho na água), que simboliza morte e ressurreição com Cristo (Romanos 6.3-4). A criança é apresentada ou dedicada, mas não batizada. Os batistas entendem que o Novo Testamento sempre liga o batismo à fé pessoal.

Os dois lados leem as mesmas passagens. A divergência está em como entender a relação entre a aliança de Deus com a família e a decisão pessoal de crer. É honesto dizer que cristãos sérios discordam aqui há séculos, sem que um negue a fé do outro.

Como cada igreja é governada?

Aspecto Presbiteriana Batista
Governo Presbiterial, por presbíteros eleitos Congregacional, com a assembleia dos membros
Autonomia Igrejas ligadas em concílios (presbitério, sínodo, supremo concílio) Cada igreja local é autônoma
Decisões importantes Conselho da igreja e instâncias superiores Votação da assembleia da igreja
Convenções Instâncias com autoridade sobre as igrejas Convenções cooperativas, sem autoridade sobre a igreja local

Na prática presbiteriana, uma igreja local não age sozinha: há instâncias de revisão e cooperação, explicadas em como a IPB está organizada. Entre os batistas, a assembleia local tem a palavra final, o que valoriza a autonomia da congregação.

Há diferença na doutrina da salvação?

Depende do grupo. A Igreja Presbiteriana do Brasil segue a Confissão de Fé de Westminster, de linha reformada, que ensina que Deus escolhe soberanamente os seus e que a salvação é obra dele do começo ao fim. Entre os batistas há duas correntes: batistas calvinistas ou reformados, próximos dessa visão, e batistas arminianos moderados, que dão mais peso à resposta livre do ser humano. Por isso, afirmar que "todo batista pensa assim" seria impreciso. A diferença aqui é de grau e de documento oficial, e não uma divisão em dois blocos únicos.

E a Ceia e a vida da igreja?

As duas tradições celebram a Ceia do Senhor como lembrança da morte de Cristo, e não como sacrifício repetido. Os presbiterianos ensinam que Cristo está espiritualmente presente na Ceia para quem recebe com fé. Muitos batistas a descrevem como memorial. Há, em geral, mais proximidade que distância nesse ponto, ainda que a ênfase teológica varie.

Na rotina, as duas costumam ter culto dominical, estudo bíblico e escola dominical, e dão grande ênfase à pregação. Detalhes de liturgia, cânticos e formas de participação variam de igreja para igreja dentro de cada denominação.

O que isso muda na prática para quem procura uma igreja?

Quem está escolhendo entre as duas deve considerar:

  1. O batismo dos filhos. Se você é pai ou mãe, vai querer entender o que sua igreja ensina sobre isso.
  2. O jeito de decidir as coisas. Governo por presbíteros ou por assembleia.
  3. A base doutrinária por escrito. Presbiterianos têm uma confissão e catecismos como padrão (veja os Símbolos de Fé).
  4. A pregação e o ambiente. Mais importante que o rótulo é ouvir a Bíblia fielmente explicada.

Para quem quiser conhecer o que a IPB ensina de modo resumido, há uma página sobre o que cremos. Para o quadro geral, veja o que é uma igreja presbiteriana.

O que distingue a fé reformada nessa comparação?

A Igreja Presbiteriana do Brasil é calvinista e confessional, e vale dizer com clareza o que isso acrescenta ao quadro. Ela ensina:

  1. Soberania de Deus sobre tudo, inclusive sobre a salvação;
  2. Depravação total: o pecado alcança toda a pessoa, e ninguém busca a Deus por si mesmo (Romanos 3.11);
  3. Eleição incondicional: Deus elege por sua boa vontade, e não por mérito previsto (Efésios 1.4-5);
  4. Expiação eficaz: a morte de Cristo de fato salva os que o Pai lhe deu;
  5. Graça eficaz: o Espírito vence a resistência do coração e dá vida nova;
  6. Perseverança dos santos: quem é de Deus é guardado por Deus até o fim.

Muitos batistas, os chamados batistas reformados, confessam isso com os presbiterianos, e a diferença com eles se reduz ao batismo e ao governo. Outros batistas, de linha arminiana, ensinam que a eleição se baseia na fé prevista e que a graça pode ser resistida. A divergência é real, e os dois lados leem as mesmas Escrituras com seriedade.

O que sustenta o batismo dos filhos é a teologia do pacto: a aliança da graça, que Deus faz com os seus e com seus descendentes, é uma só no Antigo e no Novo Testamento. O sinal mudou (da circuncisão ao batismo), mas a promessa permanece. Por fim, o culto reformado é regulado pela Palavra: só se pratica o que a Escritura manda ou autoriza.

Perguntas frequentes

Presbiteriano pode se tornar batista, e o contrário?

Pode. Passar de uma denominação a outra é uma decisão pessoal. Em geral, as igrejas recebem membros vindos de outras evangélicas, mas cada uma tem suas regras sobre o batismo. Uma igreja batista costuma pedir que o batismo tenha sido por imersão, e uma presbiteriana costuma reconhecer o batismo cristão feito em outra igreja de fé trinitária.

Qual igreja é mais antiga, a presbiteriana ou a batista?

As duas surgiram depois da Reforma do século 16. O presbiterianismo vem diretamente da tradição reformada ligada a Calvino e a Knox. O movimento batista surgiu logo depois, no século 17, entre cristãos ingleses. Não é necessário saber mais datas para entender a diferença.

Os presbiterianos acreditam em salvação só pela fé?

Sim. A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem mérito humano. As boas obras são fruto dessa fé, e não sua causa. Os batistas concordam com isso.

Batistas e presbiterianos podem ser amigos e cultuar juntos?

Sim, e muitos o fazem. Reconhecem-se como cristãos que confessam o mesmo evangelho, mesmo discordando em pontos como o batismo e o governo da igreja.