Como se forma um pastor presbiteriano — do chamado ao seminário

Como se forma um pastor presbiteriano? Veja o chamado, o papel do Conselho e do presbitério, o seminário e a ordenação, passo a passo.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

Para se formar pastor presbiteriano, a pessoa passa por um processo que combina chamado, aprovação da igreja, estudo teológico em seminário e exame e ordenação pelo presbitério. Não basta querer, nem basta estudar: a igreja entende que o ministério pastoral é um chamado de Deus reconhecido pela comunidade. Por isso o candidato é acompanhado pelo Conselho de sua igreja e pelo presbitério, forma-se em seminário reconhecido pela denominação, passa por exames e só então é ordenado.

O processo exato é definido pela constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, e os detalhes podem variar com as normas vigentes. O que segue descreve o caminho de modo geral.

O que é o chamado ao ministério?

A tradição reformada fala em um duplo chamado:

  • Chamado interno. O desejo e a convicção, dados por Deus, de servir à igreja no ministério da Palavra. Paulo escreve a Timóteo: "Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja" (1 Timóteo 3.1).
  • Chamado externo. O reconhecimento pela igreja de que a pessoa tem dons, caráter e preparo para o ofício.

Esse segundo elemento protege contra duas distorções: o sujeito que se diz chamado, mas não tem as qualificações bíblicas, e a pessoa qualificada que nunca se apresenta. O pastor, na visão presbiteriana, não se autonomeia, e sim é reconhecido e enviado pela comunidade. O lugar dele no governo da igreja se vê em o significado da palavra presbiteriano.

Quais as qualificações do pastor?

O Novo Testamento descreve exigências de caráter e de capacidade. As listas de 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9 incluem:

  • vida irrepreensível e fidelidade na família;
  • domínio próprio, hospitalidade e humildade;
  • boa reputação, também fora da igreja;
  • capacidade de ensinar e firmeza na sã doutrina;
  • não ser novo convertido, nem amante do dinheiro.

Essas qualificações pesam mais do que a habilidade de comunicação. A formação teológica ajuda no preparo, mas não substitui o caráter.

Qual é o caminho, passo a passo?

Em linhas gerais, o percurso inclui:

  1. Chamado pessoal. A pessoa percebe a vocação e conversa com o pastor e os presbíteros.
  2. Avaliação pelo Conselho. O Conselho da igreja local examina a vida cristã, a doutrina e o testemunho do candidato.
  3. Encaminhamento ao presbitério. Se o Conselho concorda, apresenta o nome ao presbitério, que passa a acompanhá-lo.
  4. Formação teológica. O candidato estuda em seminário reconhecido pela IPB.
  5. Exames. Ao fim, é examinado sobre doutrina, Bíblia, governo da igreja e vida cristã.
  6. Licenciatura e ordenação. Aprovado, é ordenado pelo presbitério e instalado como pastor.

A ordenação ocorre em culto público, com oração e imposição de mãos dos presbíteros, como na passagem de 1 Timóteo 4.14, e com o compromisso solene de seguir a doutrina e a ordem da igreja. A função do concílio está explicada em o que é um sínodo e o que é um presbitério.

O que se estuda no seminário?

O seminário é a escola de formação teológica da denominação. O currículo costuma incluir:

Área Conteúdo
Bíblica Antigo e Novo Testamentos, introdução bíblica, línguas originais (hebraico e grego)
Teologia sistemática Deus, pessoa de Cristo, salvação, igreja, últimas coisas
História História da Igreja, da Reforma e do presbiterianismo
Prática Pregação, liturgia, aconselhamento, administração da igreja
Governo e confissão Constituição da IPB, Confissão de Westminster e catecismos

O tempo de estudo e as exigências exatas dependem das normas vigentes. A tradição reformada sempre insistiu no ministério instruído, porque o pastor deve ensinar com fidelidade (2 Timóteo 2.15). Essa convicção se liga ao valor dado à educação, como em por que presbiterianos valorizam a Escola Bíblica.

Quem sustenta o pastor?

As igrejas sustentam seus pastores por meio das contribuições dos membros, conforme o princípio de 1 Timóteo 5.17-18, que fala de honrar os presbíteros que trabalham no ensino e na pregação. Cada igreja define, com seu Conselho e sua assembleia, como cuidar disso. Não é necessário conhecer a situação de nenhuma igreja específica para entender o princípio.

Mulheres e homens podem ser pastores na IPB?

A Igreja Presbiteriana do Brasil ordena homens ao ofício de pastor, presbítero e diácono, com base na interpretação que faz de passagens como 1 Timóteo 2.12 e 3.1-2. Mulheres têm papel destacado no ensino, na missão e no cuidado das pessoas, por exemplo em sociedades como a SAF, descrita em o que são as sociedades internas. É um tema em que cristãos sérios divergem, e outras igrejas reformadas concluem de outro modo. A IPB segue a sua constituição.

O pastor presbiteriano pode se casar?

Sim. A tradição reformada não exige celibato dos pastores, e muitos exercem o ministério em família. Paulo trata da família do presbítero em 1 Timóteo 3.4-5.

O que o pastor faz depois de ordenado?

O pastor prega, ensina, administra o Batismo e a Ceia, acompanha os membros e, com o Conselho, governa a igreja. Continua sob a supervisão do presbitério. A rotina inclui visitas, aconselhamento, preparo de sermões e participação nos concílios. A pregação expositiva, que explica a Bíblia em sequência, é a marca da tradição, como se vê em o que é uma igreja presbiteriana.

O que o candidato precisa afirmar?

Quem é ordenado ministro presbiteriano assume o compromisso de ensinar a fé reformada, calvinista e confessional, tal como exposta na Confissão de Westminster e nos catecismos. Isso inclui afirmar a soberania de Deus sobre tudo, inclusive a salvação; a depravação total; a eleição incondicional; a expiação eficaz; a graça eficaz; e a perseverança dos santos. Inclui também a teologia do pacto, que fundamenta o batismo dos filhos de crentes, os cinco solas e a regra de culto, pela qual a adoração é regulada pela Palavra.

O seminário ensina a ler a Bíblia pelo método gramático-histórico: o texto é interpretado conforme o sentido que suas palavras tinham para os primeiros leitores, no contexto em que foram escritas. Isso exclui a alegoria arbitrária, a numerologia e a pretensão de revelação nova. O exame do presbitério verifica se o candidato entende e sustenta essas doutrinas, e se vive de modo coerente com elas (Tito 1.9). Cristãos de outras tradições formam seus pastores de modos diferentes, e a IPB descreve o seu sem diminuir ninguém.

Como o pastor continua a se formar depois de ordenado?

A formação não termina na ordenação. O pastor segue estudando a Bíblia, a teologia e a história da igreja, e muitos participam de cursos, encontros e leituras de aprimoramento. Os presbitérios costumam promover reuniões e atividades de atualização, e o convívio entre pastores ajuda a corrigir erros e a trocar experiência. Paulo exorta Timóteo: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas" (1 Timóteo 4.16).

Há ainda a formação pela prática: o preparo de sermões, o acompanhamento das famílias, o aconselhamento e a convivência com o Conselho. É um ofício que se aprende ao longo da vida, com humildade, e que depende da oração da igreja pelo seu pastor. Por isso, a congregação é chamada a orar por ele e a submeter-se a seu ensino, enquanto este for fiel à Palavra (Hebreus 13.7,17).

Perguntas frequentes

Preciso de seminário para ser pastor presbiteriano?

Na prática da IPB, sim. A formação teológica faz parte do preparo do candidato, que depois é examinado pelo presbitério antes da ordenação.

Quem ordena o pastor presbiteriano?

O presbitério, por meio de seus pastores e presbíteros, com oração e imposição de mãos, em cerimônia pública.

Quanto tempo leva para formar um pastor?

Depende das normas da IPB e do seminário, pois envolve o preparo acadêmico, o acompanhamento e os exames. O melhor é conversar com o pastor da sua igreja e com o presbitério.

Como saber se tenho chamado para o ministério?

Ore, estude a Bíblia, sirva na igreja e converse com o pastor e os presbíteros. O reconhecimento da comunidade faz parte do discernimento, e não pode ser dispensado.