Santificação — o que é e como acontece na vida do crente
Santificação é a obra do Espírito Santo que torna o cristão mais parecido com Cristo ao longo da vida. Veja o que é, como acontece e os meios usados.
Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 6 min
Santificação é a obra de Deus, pelo Espírito Santo, que separa o cristão para si e o transforma, aos poucos, à imagem de Cristo. Começa no momento em que a pessoa crê e continua por toda a vida, até a glorificação. É diferente da justificação: esta declara o pecador justo de uma vez; a santificação o torna progressivamente santo na prática.
O que quer dizer "santificar"?
A palavra bíblica para "santo" tem a ideia básica de separado, consagrado a Deus. Um objeto do templo era santo porque estava reservado para o uso de Deus. Aplicada às pessoas, a palavra carrega dois sentidos que se combinam:
- Consagração. Deus separa um povo para si. É uma posição, e todo cristão, em Cristo, já foi santificado nesse sentido (1Coríntios 1.2).
- Transformação. Esse povo é progressivamente tornado santo em caráter e conduta. "Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação" (1Tessalonicenses 4.3).
A Escritura ordena: "Sede santos, porque eu sou santo" (1Pedro 1.16). Ao mesmo tempo, promete que a obra é dele: "aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1.6).
O que o Breve Catecismo diz sobre santificação?
Em paráfrase: o catecismo ensina que a santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser segundo a imagem de Deus, e somos habilitados, cada vez mais, a morrer para o pecado e a viver para a justiça. A Confissão de Fé trata do tema no capítulo 13, afirmando que a santificação atinge o ser humano inteiro, mas é imperfeita nesta vida, pois restos de corrupção permanecem em todas as partes, e por isso há uma luta contínua entre a carne e o espírito.
Santificação é igual a justificação?
Não. É um erro comum misturá-las. Se a santificação fosse a base da aceitação, ninguém teria paz, pois nunca seríamos santos o bastante.
- Justificação: Deus nos declara justos por causa de Cristo. É completa e imediata. Veja o que é justificação pela fé.
- Santificação: Deus nos transforma. É gradual e continua até a morte.
A ordem é fundamental: somos aceitos para então crescer, e não crescemos para então sermos aceitos. A obediência do cristão é fruto da graça, e não sua condição.
Como a santificação acontece?
A resposta bíblica tem duas partes que andam juntas: Deus age, e nós agimos.
Deus é o autor. O Espírito Santo opera em nós. "Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Filipenses 2.13). O fruto do Espírito (amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio) é fruto dele, e não produto da nossa força de vontade (Gálatas 5.22-23).
Nós somos chamados a agir. O versículo anterior: "operai a vossa salvação com temor e tremor" (Filipenses 2.12). Somos chamados a lutar, a mortificar o pecado (Romanos 8.13) e a nos vestir do novo homem (Efésios 4.22-24). A santificação não é passividade.
A tradição reformada resume assim: o crente é santificado por Deus e com a participação do crente, nunca sem esforço, e nunca pelo esforço sozinho.
Quais são os meios que Deus usa?
Deus não nos santifica de modo místico, mas por meios concretos:
- A Palavra. Jesus orou: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17.17). Ler, ouvir e meditar a Escritura é indispensável.
- A oração. Nela dependemos de Deus e pedimos o que ele manda.
- Os sacramentos. O Batismo e a Ceia do Senhor, administrados na igreja, fortalecem a fé.
- A comunhão da igreja. O culto, o ensino, a correção fraterna e o serviço mútuo (Hebreus 10.24-25).
- O sofrimento e a disciplina de Deus, pelos quais o Pai nos treina: "ele nos disciplina para o nosso bem, para que sejamos participantes da sua santidade" (Hebreus 12.10).
Quem negligencia esses meios não deve estranhar a estagnação. A rotina semanal da igreja, como o culto de domingo e o estudo de quinta, existe para isso. Veja em cultos e programação.
Por que o cristão ainda peca?
Porque a santificação é incompleta nesta vida. Paulo descreve a luta honestamente: "não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" (Romanos 7.19). João escreve: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos" (1João 1.8). E logo oferece a esperança: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar" (1João 1.9).
Isso não é desculpa para o pecado, mas uma explicação para a luta. A diferença do cristão é que ele não se acomoda: o pecado o incomoda, ele se arrepende e volta a lutar. Não é perfeição, é direção.
Existe santificação instantânea ou perfeição nesta vida?
Algumas tradições ensinam uma segunda experiência que levaria o crente a um estado de perfeição. A tradição reformada não encontra apoio bíblico para isso: a Confissão ensina que a santificação é real, mas imperfeita, e que a perfeição só virá na glorificação, quando seremos "semelhantes a ele, porque assim como é o veremos" (1João 3.2). Reconheça-se que cristãos sérios divergem aqui, mas o ponto reformado é que a luta, e não a perfeição, é o sinal da vida de Deus em nós.
Como começar a crescer na santificação?
Passos simples, sem fórmula mágica:
- Leia a Bíblia diariamente, em pequenas porções, e peça ao Senhor que a aplique.
- Reserve um tempo diário de oração.
- Confesse os pecados específicos a Deus e, quando necessário, ao irmão ofendido.
- Participe fielmente do culto e de um estudo bíblico.
- Encontre um irmão maduro para prestar contas.
- Em lutas profundas, como vícios, depressão ou abuso, procure o pastor e ajuda profissional adequada.
Se quiser conversar, a igreja está aberta; veja fale conosco. Sobre o motivo de tudo isso, leia qual é o fim principal do homem.
O que é mortificar o pecado e vivificar a obediência?
Os teólogos reformados descrevem a santificação em dois movimentos que Paulo menciona: mortificar (fazer morrer) o pecado e vivificar (fazer viver) a justiça. "Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Romanos 8.13).
- Mortificar é identificar o pecado concreto (a ira, a mentira, a impureza, a preguiça), recusar alimentá-lo, afastar-se das ocasiões que o provocam e pedir ao Espírito poder para vencê-lo.
- Vivificar é cultivar o oposto: a verdade, a generosidade, a pureza, a diligência, o serviço, por amor a Cristo.
As duas coisas andam juntas. Quem só tenta parar de pecar, sem substituir o mal pelo bem, fica vazio; quem só deseja fazer o bem, sem enfrentar o pecado, se engana. E ambas dependem do evangelho: lutamos porque já fomos perdoados, e não para sermos perdoados.
Perguntas frequentes
O que é santificação na Bíblia?
É a obra de Deus que separa o crente para si e o transforma progressivamente à imagem de Cristo, pelo Espírito Santo, por meio da Palavra, da oração e da vida em comunidade.
Santificação é uma obra de Deus ou do homem?
É de Deus, com a participação do crente. O Espírito opera em nós o querer e o realizar (Filipenses 2.13), e somos chamados a lutar e a obedecer.
Qual a diferença entre santificação e justificação?
A justificação é a declaração de Deus de que o pecador é justo por causa de Cristo, completa e imediata. A santificação é a transformação gradual do crente, que dura a vida toda.
Quanto tempo dura a santificação?
Dura toda a vida terrena, e só será completada na glorificação, quando o crente for plenamente semelhante a Cristo.