Ashbel Green Simonton e o início do presbiterianismo no Brasil
Quem foi Ashbel Green Simonton? O missionário americano que chegou ao Brasil em 1859 e iniciou o presbiterianismo no país. Conheça sua história.
Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min
Ashbel Green Simonton foi o primeiro missionário presbiteriano enviado ao Brasil. Jovem pastor norte-americano, chegou ao país em 1859, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e deu início ao trabalho que mais tarde se tornaria a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Morreu ainda jovem, mas deixou uma igreja, uma escola de formação pastoral e uma imprensa evangélica que ajudaram a plantar a fé reformada em solo brasileiro.
Quem foi Ashbel Green Simonton?
Simonton era norte-americano, de família presbiteriana, e se formou em teologia no Seminário de Princeton, nos Estados Unidos, um dos grandes centros da teologia reformada da época. Ali se preparou como pastor. Sentiu o chamado para a obra missionária e se ofereceu para o Brasil, um país então católico, com restrições à liberdade religiosa.
Seu nome entrou na história pela perseverança com que se dedicou, em condições difíceis, a aprender o português, a ensinar a Bíblia e a anunciar o evangelho a um povo que mal conhecia a mensagem da salvação somente pela graça. Sua vida, curta, é um exemplo de entrega ao Senhor.
Quando e como Simonton chegou ao Brasil?
Simonton chegou ao Rio de Janeiro em 1859. A viagem de navio foi longa, e a chegada foi o começo de anos de dedicação. A igreja de seu país o enviou por meio da junta de missões presbiteriana.
Não havia uma comunidade presbiteriana pronta o esperando. O começo foi humilde: aprender a língua, travar amizades, dar aulas, conversar sobre a Bíblia. Foi assim que a semente foi lançada. Não vamos aqui entrar em datas e detalhes que as fontes históricas especializadas podem detalhar melhor; o que importa é a imagem de um missionário que começou pequeno, com paciência e fé.
O que Simonton fez no Brasil?
Entre as iniciativas ligadas ao seu trabalho, a tradição presbiteriana lembra:
- O início da pregação e do culto presbiteriano no Rio de Janeiro, em português, com base na Palavra.
- A organização da primeira igreja presbiteriana do Brasil, que foi o ponto de partida para outras comunidades.
- A imprensa evangélica. Ele valorizou o uso de publicações para divulgar o evangelho e responder a questões da sociedade.
- A formação de pastores brasileiros. Simonton entendeu cedo que a igreja só cresceria com líderes locais, e investiu em preparar homens para o ministério.
- A ampliação do trabalho para outras regiões do Brasil, acompanhando a obra de outros missionários.
Ele pregava, ensinava, escrevia e visitava. Seu legado mais duradouro foi ter plantado um modelo de igreja reformada, fundamentada na Escritura e na pregação.
Por que o presbiterianismo chegou ao Brasil por meio dele?
Porque a tradição reformada, que nasceu na Reforma do século XVI, chegou às Américas por muitos caminhos, e um deles foi o das igrejas presbiterianas dos Estados Unidos, herdeiras do trabalho reformado da Escócia e da Inglaterra. Para entender essa origem, veja teologia reformada, o que é e Confissão de Fé de Westminster.
A igreja que Simonton plantou adotou, e a IPB adota até hoje, a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e o Breve Catecismo como padrões doutrinários. Ou seja, o que se prega numa igreja presbiteriana brasileira é a continuação do ensino que ele trouxe.
O que o exemplo de Simonton ensina?
A história de Simonton pode inspirar o cristão de hoje por algumas razões:
- Fidelidade em condições difíceis. Ele trabalhou longe de casa, com poucos recursos e muita oposição.
- Amor à Palavra. Seu ministério se apoiou na pregação e no ensino da Bíblia.
- Visão de longo prazo. Ele investiu na formação de pastores e em publicações, pensando em além de sua própria vida.
- Humildade. O que ele plantou cresceu, mas o crescimento é de Deus: "nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1Coríntios 3.7).
- Compromisso com a missão. Jesus ordenou: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações" (Mateus 28.19).
O presbiterianismo é uma religião "estrangeira"?
É uma pergunta que se ouve. A resposta honesta tem dois lados. Historicamente, o presbiterianismo brasileiro começou com missionários estrangeiros. Mas a fé que eles anunciaram não é americana nem escocesa: é a fé cristã apostólica, a mesma de Paulo e de Pedro. E há muito tempo a Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja brasileira, com pastores, presbíteros e membros brasileiros, governada por concílios próprios.
A lição vale para todas as igrejas: o evangelho vem de fora de nós, porque vem de Deus, mas se enraíza em cada povo e cultura.
Como a igreja local herda essa história?
A Igreja Presbiteriana Pioneira de Brasília é parte da IPB e se vincula, portanto, a essa herança: a pregação expositiva, a Confissão de Westminster, o governo por presbíteros e os dois sacramentos, o Batismo e a Ceia. Você pode conhecer um pouco do que a igreja ensina em no que cremos e ouvir exemplos de pregação em pregações.
A fé que Simonton trouxe foi, em grande parte, a de homens como Calvino, que deu forma à doutrina e à organização da igreja reformada. Para conhecer esse reformador, leia quem foi João Calvino.
Onde saber mais sobre Simonton?
Para uma biografia detalhada, com datas e episódios, o melhor caminho é buscar obras de história da Igreja Presbiteriana do Brasil, publicadas por editoras presbiterianas, e os seus diários e cartas, que revelam sua vida interior. Aqui preferimos não repetir datas e detalhes que não possamos confirmar. O essencial está claro: um missionário chegou em 1859, plantou uma igreja, e Deus a fez crescer.
Por que é importante lembrar os pioneiros da fé?
A Bíblia valoriza a memória dos que nos antecederam: "Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o resultado do seu procedimento, imitai-lhes a fé" (Hebreus 13.7). Lembrar Simonton não é cultuar um homem, mas agradecer a Deus por ter usado um servo para trazer o evangelho a um povo.
A memória também ensina:
- Que a igreja é obra de Deus, e não de estratégias humanas, e que ele usa gente comum, em dificuldades reais.
- Que a doutrina importa, pois os primeiros presbiterianos levaram ao Brasil não só entusiasmo, mas ensino sólido da Palavra.
- Que a fé é transmitida, de geração em geração, por pregação, por escrita e por exemplo.
- Que somos parte de uma história maior, a da igreja de Cristo em todos os tempos.
Cada igreja local, inclusive a sua, é um elo dessa corrente.
Que lições o presbiterianismo brasileiro tira dessa origem?
A origem missionária deixa pelo menos três lições para a igreja que nasceu dela. A primeira é a centralidade da Palavra: o trabalho começou com ensino da Bíblia, e continua a depender dele. A segunda é a formação de líderes: igreja saudável prepara pastores, presbíteros e diáconos que conheçam a doutrina e amem o povo. A terceira é a fidelidade à confissão: a IPB não inventou uma doutrina própria, mas recebeu e guarda a fé reformada expressa em Westminster. Cada geração é chamada a receber, praticar e transmitir o que recebeu (2Timóteo 2.2).
Perguntas frequentes
Quem foi o primeiro missionário presbiteriano no Brasil?
Foi Ashbel Green Simonton, pastor norte-americano que chegou ao Rio de Janeiro em 1859 e iniciou o trabalho que deu origem à Igreja Presbiteriana do Brasil.
Em que ano o presbiterianismo chegou ao Brasil?
A chegada de Simonton, em 1859, é o marco inicial da obra presbiteriana no país.
A Igreja Presbiteriana do Brasil ainda segue a Confissão de Westminster?
Sim. A IPB adota a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e o Breve Catecismo como padrões doutrinários.
Simonton era um teólogo reformado?
Sim. Formou-se em Princeton, centro da teologia reformada de sua época, e trouxe ao Brasil a fé presbiteriana, centrada na Escritura e na graça de Deus.