Confissão de Fé de Westminster — o que é e o que ensina

A Confissão de Fé de Westminster é o resumo da doutrina reformada adotado pelos presbiterianos. Veja sua origem, estrutura e o que ela ensina.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

A Confissão de Fé de Westminster é um documento que resume, em 33 capítulos, aquilo que a Bíblia ensina sobre Deus, o homem, a salvação, a igreja e o fim de todas as coisas. Foi redigida no século XVII, na Inglaterra, e se tornou o principal padrão doutrinário das igrejas presbiterianas ao redor do mundo, incluindo a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela não substitui a Bíblia: pretende ser um resumo fiel dela, sempre subordinado à Escritura.

De onde veio a Confissão de Westminster?

O nome vem de Westminster, o bairro de Londres onde ficava a abadia em que se reuniu, a partir de 1643, uma assembleia de pastores e teólogos convocada pelo Parlamento inglês. Essa assembleia trabalhou durante anos e produziu um conjunto de textos: a Confissão de Fé, o Catecismo Maior, o Breve Catecismo e orientações sobre o culto e o governo da igreja.

O contexto era de grande agitação religiosa e política. Havia o desejo de unificar a doutrina e o culto das igrejas reformadas da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda sobre uma base bíblica clara. A Confissão não nasceu de um só autor, mas do trabalho de muitos homens, debatendo cada afirmação à luz das Escrituras.

O que significa "confissão de fé"?

"Confessar" aqui não tem o sentido de admitir um pecado, e sim o de declarar publicamente aquilo em que se crê. É o sentido do apóstolo Paulo: "se com a tua boca confessares Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10.9).

Uma confissão de fé, portanto, é uma declaração organizada das crenças de uma igreja. Se você quiser entender por que as igrejas precisam de um texto assim, leia também o artigo por que uma igreja precisa de confissão de fé.

Como a Confissão de Westminster está organizada?

Os 33 capítulos seguem uma ordem lógica, que acompanha o desenrolar da própria história bíblica. Em linhas gerais:

  • Capítulo 1 — a Santa Escritura, o fundamento de tudo.
  • Capítulos 2 a 5 — Deus, a Trindade, os decretos de Deus, a criação e a providência.
  • Capítulos 6 a 9 — a queda do homem, o pecado, o pacto de Deus com o homem e a pessoa de Cristo, o Mediador.
  • Capítulos 10 a 18 — o chamado eficaz, a justificação, a adoção, a santificação, a fé, o arrependimento, as boas obras, a perseverança e a certeza da salvação.
  • Capítulos 19 a 24 — a lei de Deus, a liberdade cristã, o culto, os juramentos, as autoridades civis e o casamento.
  • Capítulos 25 a 31 — a igreja, a comunhão dos santos, os sacramentos (Batismo e Ceia do Senhor), a disciplina e os concílios.
  • Capítulos 32 e 33 — o estado dos homens depois da morte, a ressurreição dos mortos e o juízo final.

Repare na ordem: a Confissão começa pela Palavra de Deus, passa por quem Deus é, por quem nós somos e pelo que Cristo fez, e termina na esperança da ressurreição. É uma teologia inteira em poucas páginas.

O que a Confissão ensina de mais importante?

Algumas ideias atravessam todo o documento e dão a ele a sua identidade. É a síntese da teologia reformada, de linha calvinista, expressa em linguagem confessional.

A Escritura é a única regra de fé e prática. O capítulo 1 afirma que a Bíblia é suficiente para tudo o que diz respeito à glória de Deus, à salvação, à fé e à vida. Veja o desenvolvimento desse ponto em o que a Confissão diz sobre a Escritura.

Deus é soberano. Ele governa a criação e a história, e também a salvação, não por acaso, mas segundo o seu propósito sábio e santo. Os decretos de Deus e a providência são tratados nos capítulos 3 a 5.

O homem caído é incapaz de se salvar. O pecado atingiu a pessoa inteira (a chamada depravação total), e por isso a salvação começa em Deus: Ele elege, Cristo redime, o Espírito chama eficazmente e guarda os seus até o fim.

A salvação é pela graça, mediante a fé, somente em Cristo. O pecador não conquista o perdão; recebe-o. Os capítulos sobre a justificação e a santificação desenvolvem isso com cuidado.

Deus se relaciona com o seu povo por meio de pactos. A Confissão usa a palavra "pacto" (ou "aliança") como chave para entender a Bíblia inteira.

A igreja é o corpo de Cristo, governada por presbíteros. Daí o nome "presbiteriana".

A Confissão está acima da Bíblia?

Não, e a própria Confissão faz questão de dizer isso. No capítulo 31, ao tratar dos concílios e sínodos, ela afirma que todos eles podem errar e muitos erraram; por isso não devem ser a regra de fé e prática, mas ajuda para ambas. Em outras palavras: a Escritura julga a Confissão, e nunca o contrário.

Quando um presbiteriano adota a Confissão, ele não está dizendo "creio nisto porque Westminster disse", mas "creio que a Bíblia ensina isto, e Westminster expressa bem esse ensino". Se, algum dia, alguém demonstrar com a Escritura que um ponto da Confissão está errado, a igreja deve corrigi-lo. É isso que significa a velha frase reformada de que a igreja está sempre sendo reformada pela Palavra de Deus.

Os cristãos de outras tradições também aceitam a Confissão?

Muitos cristãos sérios, de outras tradições, divergem de alguns pontos da Confissão de Westminster, como o batismo de crianças, a forma de governo da igreja ou o modo como se entende a eleição. Os arminianos, por exemplo, entendem de outra forma a relação entre a graça e a escolha humana. É honesto reconhecer isso. Ao mesmo tempo, a imensa maioria dos pontos centrais, como a Trindade, a divindade e a humanidade de Cristo, a autoridade da Escritura e a salvação pela graça, é compartilhada por cristãos de muitas denominações.

A Confissão, portanto, é um padrão da igreja presbiteriana, e não um teste para dizer quem é ou não cristão. Quem confia somente em Cristo para a salvação é cristão, esteja ou não de acordo com cada detalhe do documento. A igreja, porém, ensina com clareza aquilo que lê na Escritura e que a Confissão resume.

Como a Confissão é usada na vida da igreja?

Na tradição presbiteriana, a Confissão tem usos práticos bem concretos:

  1. Ensino. Pastores e professores a usam como um mapa para ensinar a doutrina de maneira ordenada.
  2. Proteção. Ela ajuda a igreja a reconhecer ensinos que se afastam da fé bíblica.
  3. Unidade. Igrejas de lugares diferentes confessam a mesma fé, e isso as une.
  4. Exame dos oficiais. Os que se candidatam ao presbiterato ou ao ministério declaram aceitar a Confissão como expressão do sistema de doutrina ensinado na Bíblia.
  5. Discipulado. Para quem deseja crescer na fé, ler a Confissão com as referências bíblicas é um excelente exercício.

Cada afirmação da Confissão original vem acompanhada de textos bíblicos de apoio. Vale a pena ler com a Bíblia aberta, conferindo as referências, como os nobres de Bereia que "examinavam cada dia as Escrituras, para ver se as coisas eram, de fato, assim" (Atos 17.11).

Por onde começar a ler?

Se você nunca leu a Confissão, não precisa começar pelo capítulo 1 e ir até o fim de uma vez. Sugestões:

  • Leia primeiro o capítulo 1 (a Escritura) e o capítulo 2 (Deus e a Trindade).
  • Em seguida, os capítulos sobre a justificação (11) e a santificação (13).
  • Se tiver dúvidas, anote-as e converse com o pastor. Na igreja, o estudo bíblico de quinta-feira, às 20h, é um bom espaço para isso; veja os horários em cultos e programação.
  • Para um primeiro contato mais simples, leia o Breve Catecismo, produzido pela mesma assembleia, em perguntas e respostas curtas.

O resumo do que a igreja crê está também em no que cremos.

Perguntas frequentes

A Confissão de Westminster é a mesma coisa que a Bíblia?

Não. A Bíblia é a Palavra de Deus e a única regra infalível de fé e prática. A Confissão é um documento humano, redigido para resumir o ensino da Bíblia, e está sempre abaixo dela.

Quantos capítulos tem a Confissão de Fé de Westminster?

Tem 33 capítulos, que vão da Santa Escritura (capítulo 1) até o juízo final (capítulo 33). Cada capítulo se divide em seções numeradas, com textos bíblicos de apoio.

Toda igreja presbiteriana usa a Confissão de Westminster?

As igrejas presbiterianas de tradição reformada confessional a adotam como padrão, junto com o Catecismo Maior e o Breve Catecismo. A Igreja Presbiteriana do Brasil faz isso, e este é também o padrão doutrinário da IP Pioneira.

Preciso concordar com a Confissão inteira para ser membro de uma igreja presbiteriana?

Para ser recebido como membro, a pessoa professa sua fé em Cristo e se compromete a viver e aprender a doutrina da igreja. Os oficiais (presbíteros e diáconos) é que assumem compromisso explícito com o sistema de doutrina da Confissão.