Qual é o fim principal do homem? Glorificar a Deus
Qual é o fim principal do homem segundo o Breve Catecismo? Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Entenda o sentido de cada palavra.
Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min
O fim principal do homem é, segundo a primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster, glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. A pergunta é "Qual é o fim principal do homem?" e a resposta é "Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". Em poucas palavras, o catecismo diz para que fomos criados: para conhecer Deus, honrá-lo e encontrar nele a nossa maior alegria, agora e na eternidade.
O que significa "fim" nessa pergunta?
Na linguagem do catecismo, "fim" não quer dizer "término", e sim finalidade, o propósito para o qual alguma coisa existe. A pergunta, em linguagem de hoje, seria: "Para que o ser humano existe? Qual é o objetivo mais importante da vida?"
Dizer "principal" significa que há outros alvos legítimos (trabalhar, formar família, estudar, descansar), mas existe um alvo que governa todos os demais. É o que Paulo diz em 1Coríntios 10.31: "Quer comais, quer bebais, quer façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus."
O que é glorificar a Deus?
Glorificar a Deus não significa acrescentar algo à glória dele, como se Deus precisasse de nós. Significa reconhecer e mostrar quem ele é: refletir a sua grandeza, bondade e santidade em nossos pensamentos, palavras e ações.
Algumas formas bíblicas de glorificar a Deus:
- Adorá-lo e reconhecê-lo como Criador e Senhor (Salmo 29.2).
- Confiar nele, ainda quando as circunstâncias são difíceis (Romanos 4.20).
- Obedecer-lhe, vivendo conforme a sua Palavra (João 15.8).
- Agradecer-lhe por todas as coisas (Salmo 50.23).
- Fazer o trabalho comum com excelência e honestidade, como serviço a ele (Colossenses 3.23).
O profeta Isaías registra a declaração de Deus sobre o seu povo: "todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para minha glória" (Isaías 43.7). Fomos criados para isso.
O que significa "gozá-lo"?
"Gozar", aqui, é desfrutar, deleitar-se. Não é uma palavra vulgar: é o oposto de uma religião fria, feita só de obrigação. O catecismo ensina que o ser humano foi feito para ter prazer em Deus.
A Bíblia é cheia dessa linguagem. O salmista diz: "Tu me farás ver a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (Salmo 16.11). E também: "Deleita-te no Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração" (Salmo 37.4). Jesus, por sua vez, fala de vida em abundância (João 10.10).
Isso não significa que o cristão nunca sofre. Significa que, mesmo no sofrimento, existe uma alegria mais profunda, que vem de conhecer a Deus e de estar reconciliado com ele.
Por que "glorificar" e "gozar" andam juntos?
Aqui está a beleza da resposta. O catecismo não diz "glorificar a Deus ou gozá-lo", mas "glorificar a Deus e gozá-lo". As duas coisas não competem.
- Se só falássemos em glorificar, a vida cristã viraria dever sem alegria.
- Se só falássemos em gozar, ela viraria busca de sentimentos sem reverência.
Juntas, elas mostram que Deus é glorificado quando nos satisfazemos nele. Um filho que se alegra no pai honra o pai. A nossa alegria em Deus é uma forma de adorá-lo.
E o "para sempre"?
A expressão "para sempre" lembra que a nossa vocação não termina com a morte. A vida cristã é o começo de algo que continua na eternidade. Jesus ora: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17.3). A vida eterna é, essencialmente, conhecer a Deus, e isso começa agora e se completa na ressurreição, quando veremos o Senhor face a face (1Coríntios 13.12).
Se esse é o nosso fim, por que parece que ninguém o alcança?
Porque o pecado distorceu o propósito original. Em lugar de glorificar a Deus, o ser humano glorifica a si mesmo ou a outras coisas. Romanos 1.21 descreve isso: "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças". E Romanos 3.23 afirma: "todos pecaram e carecem da glória de Deus".
Ou seja: fomos feitos para glorificar a Deus e falhamos. É por isso que o evangelho é necessário. Em Cristo, Deus restaura o que o pecado destruiu. Pela fé nele, o pecador é perdoado e reconciliado, e o Espírito Santo o capacita a viver, aos poucos, para a glória de Deus. Como isso acontece é explicado em o que é justificação pela fé e em santificação, o que é e como acontece.
Como isso muda a vida de todo dia?
A resposta do catecismo não fica no plano das ideias; ela reorienta a rotina.
- Muda o critério de decisão. Em vez de perguntar "o que me faz feliz?" apenas, passa-se a perguntar "como isto honra a Deus?", sem deixar de reconhecer que honrá-lo é o caminho da verdadeira alegria.
- Dá dignidade ao trabalho comum. Lavar louça, preparar uma aula, atender um cliente, tudo pode ser feito para a glória de Deus.
- Muda a forma de enfrentar o sofrimento. O alvo da vida não é o conforto, mas conhecer e honrar a Deus, mesmo nas lutas.
- Torna o culto o centro da semana. Reunir-se para adorar é praticar, em conjunto, aquilo para que fomos criados. Veja os horários em cultos e programação.
- Liberta da ansiedade de se provar. Quem vive para a glória de Deus não precisa viver para a aprovação dos outros.
De onde vem essa pergunta?
Ela abre o Breve Catecismo, escrito no século XVII pela Assembleia de Westminster. Sobre o conjunto do documento, veja o Breve Catecismo e para que serve. A pergunta seguinte do catecismo, em paráfrase, indaga qual regra Deus nos deu para nos dirigir a glorificá-lo e gozá-lo, e a resposta aponta para a Palavra de Deus, as Escrituras. Assim, a primeira pergunta já nos leva à Bíblia.
E se eu não sinto alegria em Deus?
Esta é uma dificuldade real, e a Bíblia a reconhece. O salmista chega a perguntar: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" (Salmo 42.5). Há fases de aridez, de luto e de dúvida em que "gozar a Deus" parece distante. A resposta cristã não é fingir sentimentos, e sim:
- Voltar à Palavra, porque a alegria cristã nasce do que Deus é e fez, e não do estado de ânimo.
- Orar com honestidade, como fazem os salmos, que trazem a Deus a queixa e a esperança.
- Manter-se na comunhão da igreja, onde outros carregam a fé quando a nossa fraqueja.
- Buscar ajuda, pastoral e, quando for o caso, profissional, em situações de tristeza profunda. Isso não é falta de fé.
A alegria em Deus é, em grande parte, um dom que cresce com o tempo, e não uma emoção que se produz à força.
Perguntas frequentes
Qual é a resposta exata da primeira pergunta do Breve Catecismo?
A pergunta é "Qual é o fim principal do homem?" e a resposta é "Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". Essa é a formulação tradicional do catecismo em português.
O que quer dizer glorificar a Deus na prática?
É honrar a Deus em tudo o que pensamos, dizemos e fazemos: adorando, confiando, obedecendo e agradecendo. Inclui até o trabalho comum, feito como serviço ao Senhor (Colossenses 3.23).
Gozar a Deus não é egoísmo?
Não. Se Deus é a fonte de toda bondade, deleitar-se nele é a resposta certa a quem ele é. A Bíblia convida a isso (Salmo 37.4) e mostra que a nossa alegria nele o honra.
O fim principal do homem vale para quem não é cristão?
Segundo a Bíblia, sim: todo ser humano foi criado para esse fim, e a falha em cumpri-lo é a condição de todos. Só em Cristo essa finalidade é restaurada.