Qual tradução da Bíblia usar: ARA, NVI, ACF e NAA

Qual tradução da Bíblia usar em português? Entenda as diferenças entre ARA, NVI, ACF e NAA, sem polêmica, e escolha a que melhor serve ao seu estudo.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 6 min

A pergunta sobre qual tradução da Bíblia usar não tem uma única resposta, e nenhuma das principais traduções em português corrompe a mensagem do evangelho. As diferenças estão sobretudo no texto de base em que foram feitas, no método de tradução e no estilo da linguagem. Este artigo explica as quatro mais comuns, ARA, NVI, ACF e NAA, sem atacar nenhuma, e oferece critérios práticos para escolher.

Por que existem tantas traduções?

Porque traduzir é sempre decidir. O hebraico, o aramaico e o grego não têm correspondência exata com o português. Cada palavra pode ser traduzida de várias maneiras, e o tradutor precisa escolher entre fidelidade à forma das palavras e clareza para o leitor de hoje. Além disso, o português mudou desde o século XVII, e a ciência de comparar manuscritos avançou.

A Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 1, ensina que as Escrituras devem ser traduzidas para a língua comum de cada povo, para que todos tenham acesso a elas. Ter várias traduções é, nesse sentido, fruto de uma convicção cristã antiga, e não motivo de escândalo. Para conhecer a origem das traduções, veja como a Bíblia chegou até nós.

Duas ideias para entender as diferenças

Texto de base

Para o Antigo Testamento, as traduções usam, em geral, o texto hebraico tradicional. Para o Novo Testamento, há duas famílias de textos gregos usadas. Uma, chamada de Texto Recebido, foi a base das traduções da época da Reforma. Outra, mais recente, resulta da comparação de manuscritos descobertos depois e é chamada de texto crítico. As diferenças entre as duas famílias concentram-se em algumas passagens e em muitos detalhes pequenos. Nenhuma altera uma doutrina central.

Método de tradução

  • Formal (ou literal): procura seguir de perto as palavras e a estrutura do original. É mais fiel à forma, mas às vezes soa estranha em português.
  • Funcional (ou dinâmica): procura transmitir o sentido em linguagem atual e natural. É mais fácil de ler, mas envolve mais interpretação do tradutor.

Nenhum método é perfeito. O formal pode obscurecer o sentido, e o funcional pode escolher uma interpretação onde o original é aberto.

O que são ARA, NVI, ACF e NAA?

Sigla Nome Característica geral
ARA Almeida Revista e Atualizada Linha de Almeida, revisada com atualização de linguagem; bastante literal
NVI Nova Versão Internacional Tradução nova, feita diretamente dos originais, com linguagem atual e foco em clareza
ACF Almeida Corrigida Fiel Linha de Almeida, baseada no Texto Recebido no Novo Testamento; linguagem mais tradicional
NAA Nova Almeida Atualizada Atualização da linha de Almeida, com linguagem contemporânea

ARA

Pertence à família de Almeida, a tradição que remonta ao século XVII. É muito usada em igrejas históricas e no estudo, por ser relativamente literal e manter um vocabulário familiar a quem cresceu ouvindo a Bíblia. Costuma ser apreciada por quem quer memorizar, pela cadência do texto.

NVI

Não pertence à família de Almeida: é uma tradução feita por uma equipe de estudiosos, a partir dos originais, com a meta de comunicar o sentido em português atual. É de leitura fácil e muito usada por quem está começando. Em alguns versículos, segue o texto crítico e por isso algumas passagens aparecem de forma diferente de outras traduções, e há notas de rodapé indicando isso. Em geral é mais funcional que formal.

ACF

Também da família de Almeida, é baseada, no Novo Testamento, no Texto Recebido, o mesmo que sustentou as traduções da Reforma. Preserva a linguagem clássica, com expressões antigas. Muitos leitores a apreciam por esse motivo e por ser a mais próxima do português tradicional das igrejas. Quem a usa precisa estar disposto a enfrentar algumas palavras que não são mais de uso comum.

NAA

É uma revisão recente da família de Almeida, com a proposta de atualizar a linguagem e manter a proximidade com o texto tradicional. Fica entre a ARA e as traduções mais funcionais em legibilidade.

Esta tabela é uma orientação geral e não um julgamento. Para saber detalhes de cada edição, leia o prefácio e as notas da própria Bíblia.

Existem diferenças que mudam o ensino?

Em passagens isoladas, as traduções divergem no sentido ou no texto de base. A boa prática é, diante de um versículo importante, comparar duas ou três traduções e ler as notas de rodapé. Quase sempre as diferenças se explicam por escolhas de vocabulário. Quando a divergência é de texto, e não só de vocabulário, as notas costumam indicar.

Nenhuma dessas traduções nega a divindade de Cristo, a Trindade, a morte e a ressurreição de Jesus ou a salvação pela graça mediante a fé. Quem afirma o contrário sobre alguma delas está sendo exagerado. A Confissão de Westminster afirma que, em caso de dúvida sobre o sentido de um texto, devemos recorrer ao próprio texto bíblico em outros lugares: a Escritura interpreta a Escritura. Comparar traduções e passagens paralelas é uma boa forma de seguir esse princípio.

Como escolher a minha?

Considere cinco critérios:

  1. Compreensão. Você entende o que lê? Se a linguagem tradicional o trava, uma tradução mais atual pode ajudar.
  2. Fidelidade. Prefira tradução feita das línguas originais por uma equipe séria, com notas honestas.
  3. Uso da sua igreja. Ler a mesma tradução da pregação facilita acompanhar o texto e memorizar. Pergunte ao pastor ou ao responsável pela escola bíblica.
  4. Estudo versus leitura devocional. Para estudar, vale ter uma tradução mais literal e outra mais clara à mão.
  5. Memorização. Escolha uma e fique com ela. Veja por que memorizar versículos.

Uma sugestão prática: tenha uma Bíblia de estudo, mais literal, e um aplicativo ou segunda Bíblia com tradução funcional para comparar.

E as paráfrases?

Paráfrases e adaptações, que reescrevem o texto em linguagem bem livre, podem ser úteis como leitura complementar, mas não servem como base de estudo, porque o texto se afasta demais do original. Prefira sempre uma tradução propriamente dita.

O que importa mais do que a tradução?

O que você faz com ela. Uma tradução aberta e lida vale mais do que a "melhor" fechada na estante. Jesus disse: "Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam" (Lucas 11.28). A escolha da tradução deve servir a esse fim. E lembre que o culto, com a leitura pública e a pregação, é lugar onde a Palavra é aberta em comunidade: veja cultos. Para começar a leitura com o pé direito, veja por onde começar a ler a Bíblia.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor tradução da Bíblia em português?

Não há uma única melhor. Para estudo, muitos preferem uma tradução mais literal, como as da família de Almeida. Para leitura corrida e iniciantes, uma tradução em linguagem atual costuma ajudar. O ideal é ter duas e comparar.

A NVI é uma Bíblia confiável?

É uma tradução feita por estudiosos a partir dos originais e amplamente usada por igrejas evangélicas. Algumas passagens seguem o texto crítico e por isso diferem de outras traduções, com notas explicativas. Não nega nenhuma doutrina central da fé cristã.

Por que a ACF e a ARA têm versículos diferentes?

Em parte, por causa do texto de base grego do Novo Testamento usado em cada uma, e em parte por escolhas de revisão e de vocabulário. As diferenças são pontuais e costumam ser indicadas em notas.

Posso usar mais de uma tradução?

Pode e deve. Comparar traduções ajuda a perceber nuances e a identificar trechos em que o original admite mais de um sentido. Apenas escolha uma como principal para a memorização.