O que é o batismo e qual o seu significado cristão

O que é o batismo? Veja o significado do sacramento, o que a água representa, por que se batizam também os filhos de crentes e as diferenças de visão.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

O batismo é o sacramento instituído por Cristo em que a pessoa é lavada com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como sinal e selo de que pertence a Deus, está unida a Cristo e é recebida na igreja. A água não salva, mas mostra visivelmente o que Deus promete fazer pelo evangelho: purificar do pecado e dar vida nova.

Esse tema é importante e também sensível, porque cristãos sérios divergem sobre ele. Vou expor a compreensão presbiteriana, reconhecendo onde há outros entendimentos.

Quem instituiu o batismo?

Jesus. Antes de subir aos céus, ele ordenou: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado" (Mt 28.19-20). O batismo é, portanto, parte da missão da igreja, junto com o ensino. Ele não é invenção humana nem costume opcional.

O que o batismo significa?

A Confissão de Westminster (cap. 28) resume o significado em pontos que a Bíblia sustenta:

  1. União com Cristo. "Todos os que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte" (Rm 6.3). O batismo aponta para morrer com Cristo para o pecado e ressuscitar com ele para a vida nova.
  2. Purificação do pecado. "Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando o nome dele" (At 22.16). A água simboliza a limpeza que só o sangue de Cristo realiza.
  3. Ingresso na igreja visível. O batismo é o sinal público de pertença ao povo de Deus (1Co 12.13).
  4. Sinal e selo da aliança da graça. É uma promessa visível de Deus: ele se compromete a ser o Deus de quem recebe o sinal.
  5. Chamado à vida nova. O batizado é convocado a viver para Deus.

Note que o batismo sinaliza e sela; ele não produz a salvação por si mesmo. A Confissão afirma que a graça prometida no batismo é de fato dada, quando Deus quer, no tempo dele, àqueles a quem pertence (os eleitos), mas que a eficácia do sacramento não está presa ao momento em que ele é administrado. A salvação vem pela graça mediante a fé (Ef 2.8-9). O ladrão na cruz foi salvo sem ser batizado (Lc 23.43).

O que é "aliança da graça" e o que ela tem a ver com o batismo?

Aliança (ou pacto) é um compromisso solene em que Deus se vincula ao seu povo com promessas. A teologia reformada ensina que há uma só aliança da graça em toda a Bíblia: Deus promete ser o Deus dos seus e o salvador deles, em Cristo. Ela aparece com Abraão (Gn 17), é cumprida em Cristo e continua na igreja. O sinal mudou de forma (da circuncisão para o batismo), mas a promessa é a mesma. "Sinal" é o que aponta e mostra; "selo" é o que confirma. O batismo é sinal e selo dessa aliança: ele não cria a promessa, mas a mostra e a confirma publicamente. Quem recebe o sinal é chamado a crer na promessa que ele aponta.

O batismo regenera? Posso ser salvo sem ele?

Cristãos divergem aqui. Algumas tradições ensinam que o batismo regenera por si mesmo. A tradição reformada ensina que é sinal e selo, e não o instrumento que causa a regeneração. Ao mesmo tempo, o batismo não é opcional: é ordem de Cristo. Quem crê deve ser batizado e não despreza o sacramento. A Confissão diz que é pecado grande desprezá-lo, mas que a graça não está tão ligada a ele que ninguém possa ser salvo sem ele.

Por que os presbiterianos batizam também crianças?

É a principal diferença em relação às igrejas batistas, e vale entender o raciocínio, que é bíblico e histórico, e não um capricho.

Primeiro, o conceito de aliança. Deus sempre tratou com os crentes e seus filhos. A Abraão ele disse: "Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência... para ser o teu Deus e o de tua descendência" (Gn 17.7). O sinal da aliança, a circuncisão, era aplicado aos bebês de oito dias.

Segundo, a continuidade. Paulo liga o batismo à circuncisão: "fostes circuncidados... sepultados com ele no batismo" (Cl 2.11-12). O sinal mudou, o sangue deixou de correr, mas a aliança é a mesma.

Terceiro, as promessas e os registros no Novo Testamento. Pedro disse: "a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe" (At 2.39). O Novo Testamento relata batismos de casas inteiras (At 16.15, 16.33; 1Co 1.16). Não diz se havia crianças, e é honesto reconhecer que não há um texto que diga com todas as letras "batizem bebês". A prática se apoia na continuidade da aliança.

Quarto, a atitude de Jesus: "Deixai vir a mim os pequeninos... dos tais é o reino de Deus" (Mc 10.14).

Por isso, na IPB, batizam-se os filhos de pais crentes, e a criança é considerada membro não comungante da igreja. Quando cresce, é chamada a confirmar a fé pessoalmente. Veja como funciona a profissão de fé. Os irmãos batistas e outros, por sua vez, batizam só quem faz profissão de fé, e o fazem por convicção sincera, com argumentos que merecem respeito. A divergência é entre irmãos.

O batismo é por imersão, aspersão ou efusão?

A palavra grega baptizo tem sentido de "mergulhar, lavar". Cristãos divergem sobre o modo. A Confissão de Westminster diz que não é necessária a imersão, e que o batismo é corretamente administrado por aspersão ou efusão (derramar ou aspergir água). Textos como Hebreus 9.10 chamam "batismos" a lavagens cerimoniais, e a Bíblia fala do "sangue da aspersão" (1Pe 1.2). Outras igrejas defendem a imersão como única forma. O essencial é: água, no nome do Deus Trino, ministrada pela igreja.

Quem administra o batismo?

Na tradição presbiteriana, o pastor ordenado, durante o culto, diante da congregação. O sacramento é um ato público da igreja, não um rito particular. Por isso, o batismo acontece, em regra, num culto, em momento próprio da liturgia. Se quiser ver onde ele se encaixa, veja como é um culto presbiteriano.

É preciso batizar de novo quem foi batizado em outra igreja?

Em geral, não, se o batismo foi feito com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, por uma igreja que professa a fé cristã. Repetir o batismo não é necessário, porque o sacramento não é repetido. Cada caso é avaliado pelo Conselho.

E o batismo no Espírito Santo?

A Bíblia fala de batismo "com água" e de ser "cheio" ou "batizado" no Espírito (Mt 3.11; 1Co 12.13). Na tradição reformada, todo crente recebe o Espírito Santo no momento da conversão; o batismo com água é o sinal exterior do que o Espírito faz por dentro. Se tem dúvidas sobre a doutrina, veja no que cremos.

Perguntas frequentes

O que é o batismo na igreja presbiteriana?

É um dos dois sacramentos da igreja, aplicado com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sinal e selo da aliança da graça e da união com Cristo. É aplicado a adultos que professam a fé e a filhos de crentes.

O batismo salva?

Não por si só. A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo. O batismo é sinal e selo dessa graça e é ordem do Senhor, mas não é o que causa a salvação.

Por que batizar bebês?

Porque a aliança de Deus inclui os filhos dos crentes, e o batismo é o sinal dessa aliança no Novo Testamento, como a circuncisão era no Antigo. A criança é chamada a confirmar a fé quando crescer.

Precisa ser por imersão?

Para a tradição presbiteriana, não. O batismo é válido por aspersão, efusão ou imersão. Outras tradições entendem que deve ser por imersão.