Como a igreja usa as ofertas e os dízimos dos membros
Como a igreja usa as ofertas? Veja o que a Bíblia diz sobre dízimos e ofertas, onde o dinheiro é aplicado e como deve ser a prestação de contas.
Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 6 min
A igreja usa as ofertas e os dízimos para sustentar aquilo que a Bíblia manda ela fazer: o ministério da Palavra (o sustento do pastor), o culto e o espaço onde a igreja se reúne, o cuidado dos necessitados e a obra de evangelização e missões. O dinheiro não pertence a uma pessoa; é recurso de Deus, entregue pelo povo, e deve ser administrado com fidelidade e transparência.
É um assunto delicado, porque há abusos conhecidos no meio evangélico, e muita gente tem desconfiança. Vamos ver o que a Bíblia diz, para onde o dinheiro deve ir e quais são as proteções.
O que a Bíblia ensina sobre dar?
Em geral, as Escrituras tratam da oferta como parte da adoração e da mordomia, isto é, a administração responsável do que Deus nos confia. Os pontos centrais:
- Tudo vem de Deus. "Do Senhor é a terra e a sua plenitude" (Sl 24.1). Doar é devolver uma parte do que já é dele (1Cr 29.14).
- Dar com alegria, voluntariamente. "Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama quem dá com alegria" (2Co 9.7).
- Dar proporcionalmente e com regularidade. "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade" (1Co 16.2).
- Sustentar quem ensina. "O Senhor ordenou aos que anunciam o evangelho que vivam do evangelho" (1Co 9.14; Gl 6.6).
- Socorrer os pobres, especialmente os da família da fé (Gl 6.10; At 4.34-35).
A tradição reformada chama a prática de ação de graças: a oferta é resposta ao que Deus já fez em Cristo, e não um pagamento para obter bênçãos.
O dízimo é obrigatório para o cristão?
Aqui há um ponto em que cristãos sérios divergem, e vale expor com honestidade. Dízimo quer dizer "décima parte". No Antigo Testamento, o povo entregava o dízimo para sustentar os levitas e o culto (Nm 18.21; Ml 3.10). Abraão já tinha dado o dízimo a Melquisedeque, antes da lei (Gn 14.20), e Jesus não aboliu a prática (Mt 23.23).
Os reformados dividem-se em dois entendimentos:
- Há quem ensine que o dízimo permanece como padrão mínimo de generosidade para o crente, por ser anterior à lei de Moisés e confirmado por Jesus;
- Há quem ensine que o Novo Testamento não repete uma exigência fixa, mas pede generosidade maior e proporcional à graça recebida.
Na IPB, a prática do dízimo é amplamente ensinada, e o compromisso de contribuir faz parte dos votos de membresia. Em qualquer dos casos, a Bíblia proíbe a coação: ninguém deve ser pressionado, ameaçado ou manipulado a dar. O dinheiro dado sob chantagem espiritual contradiz o evangelho. Veja também o que é ser membro de uma igreja.
Para onde vai o dinheiro?
De modo geral, as despesas de uma igreja local se dividem em quatro áreas:
| Área | O que inclui |
|---|---|
| Ministério da Palavra | Sustento do pastor e, quando houver, de obreiros em tempo integral |
| Culto e manutenção | Aluguel ou manutenção do templo, água, luz, som, materiais, limpeza |
| Misericórdia | Ajuda a pessoas em necessidade, especialmente os da comunidade de fé |
| Evangelização e missões | Apoio a missionários, plantação de igrejas e trabalhos de outros presbitérios |
A igreja local também contribui, em geral, para a denominação: o sustento de seminários, de missões e da organização maior. As proporções dependem de cada igreja e de seu orçamento, e não há uma fórmula única. Sobre os valores específicos desta igreja, a informação deve ser pedida ao Conselho e à Junta Diaconal, que a possuem.
Quem administra o dinheiro da igreja?
Na estrutura presbiteriana, a administração material é atribuição dos diáconos, sob a supervisão do Conselho (veja o que faz um diácono e o que é o Conselho da igreja). Isso significa que o dinheiro não está nas mãos de uma só pessoa: há uma junta eleita pela igreja, um tesoureiro, um orçamento aprovado e contas apresentadas à comunidade. É um mecanismo de proteção dado pelo próprio modelo de governo. A Constituição da IPB prevê esses cuidados, com variações de detalhe entre igrejas.
Como deve ser a prestação de contas?
A Bíblia valoriza a transparência no manejo do dinheiro. Paulo, ao organizar a coleta para os pobres de Jerusalém, escreve: "procuramos evitar que alguém nos desacredite com respeito a esta generosa dádiva que administramos, pois nos preocupamos em fazer o que é correto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens" (2Co 8.20-21). Em outras palavras: não basta ser honesto; é preciso ser visto como honesto.
Na prática, uma igreja saudável:
- Tem orçamento anual conhecido pela igreja;
- Apresenta relatórios periódicos de entradas e saídas à assembleia;
- Tem conselho fiscal ou revisão independente das contas;
- Evita concentrar decisões financeiras em uma só pessoa;
- Registra tudo e aceita perguntas dos membros.
Se você é membro e quer entender onde o dinheiro é aplicado, procure o Conselho ou a Junta Diaconal. Pedir informação é legítimo; a boa liderança não se ofende com isso.
E a oferta no culto? Por que há um momento para ela?
Porque a oferta é um ato de adoração, assim como cantar ou orar. Muitas igrejas recolhem as ofertas durante o culto, entre as orações e a pregação. Quem dá, dá a Deus. O momento é normalmente conduzido com orações de gratidão e dedicação. A Bíblia mostra que Deus se agrada de quem oferece com o coração (Mc 12.41-44, a oferta da viúva). Para ver onde esse momento se encaixa, leia como é um culto presbiteriano, passo a passo. Quem quiser contribuir de outras formas pode ver a seção contribua.
Visitantes precisam ofertar?
Não. Quem visita não tem nenhuma obrigação de dar. A oferta é um ato de adoração dos que pertencem à comunidade e querem sustentá-la. Muitas igrejas dizem isso abertamente ao visitante, para que ninguém se sinta pressionado.
E se eu estou endividado ou com dificuldades financeiras?
A Bíblia não ensina a dar além do que se pode, nem a se endividar para ofertar. Paulo diz que a oferta é "segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem" (2Co 8.12). Quem enfrenta dívidas ou desemprego deve procurar orientação financeira profissional e conversar com o pastor ou com um diácono. A igreja pode ajudar, e não cobrar. Se alguém promete que dar dinheiro à igreja resolverá suas dívidas ou lhe trará riqueza garantida, desconfie: isso é a chamada "teologia da prosperidade", que a tradição reformada rejeita, pois a Bíblia não promete que a oferta seja um meio de enriquecer.
Perguntas frequentes
Para onde vai o dinheiro da igreja?
Para o sustento do pastor, o culto e o templo, a ajuda aos necessitados e a evangelização e missões. Os detalhes de cada igreja constam em seu orçamento, e a administração fica com a Junta Diaconal sob supervisão do Conselho.
Dízimo é obrigatório?
É amplamente ensinado na IPB como compromisso do membro, mas há debate entre cristãos sobre se o dízimo permanece como regra no Novo Testamento. Em todos os casos, ninguém deve ser coagido: a Bíblia pede oferta voluntária e alegre.
A igreja deve prestar contas aos membros?
Sim. A Bíblia valoriza a transparência (2Co 8.20-21), e o governo presbiteriano prevê administração por uma junta e supervisão do Conselho, com relatórios à igreja.
Visitante precisa ofertar?
Não. A oferta é ato de adoração dos membros e de quem quer contribuir. Ninguém é obrigado.