O que é o dízimo na Bíblia e por que a igreja fala disso

O que é o dízimo na Bíblia — origem no Antigo Testamento, ensino do Novo, contribuição voluntária e alegre, sem cobrança e sem promessa de retorno.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

Dízimo significa "décima parte": na Bíblia, é a porção que o povo de Deus separava para o culto, para os sacerdotes e para os necessitados. A igreja fala disso porque a Escritura fala, e porque a obra de Deus tem custos. Mas fala sem cobrar ninguém e sem prometer retorno financeiro. Aqui vai o que a Bíblia diz sobre o dízimo, com honestidade sobre os pontos em que cristãos sérios divergem.

O que é o dízimo e de onde vem?

A palavra vem do hebraico maaser, "décimo". O dízimo aparece antes da lei de Moisés: Abraão deu a Melquisedeque "o dízimo de tudo" (Gênesis 14.20), e Jacó prometeu a Deus a décima parte do que recebesse (Gênesis 28.22).

Na lei de Moisés, o dízimo foi regulamentado em Israel:

  • "Todas as dízimas da terra, tanto do cereal como do fruto das árvores, são do Senhor" (Levítico 27.30).
  • Os dízimos sustentavam os levitas, que não tinham herança de terra e serviam no culto (Números 18.21-24).
  • Havia, pelo que os estudiosos entendem, dízimos para festas e, a cada três anos, para os pobres, os estrangeiros, os órfãos e as viúvas (Deuteronômio 14.22-29).

Ou seja, o dízimo era um sistema de sustento do culto e de assistência social ao mesmo tempo, dentro da vida civil e religiosa de Israel.

E Malaquias 3.10? "Trazei todos os dízimos"

É o texto mais citado. Deus, por meio do profeta, acusa o povo: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais... nos dízimos e nas ofertas." E convida: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro... e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu" (Malaquias 3.8-10).

Cuidado com a leitura. O texto foi dirigido a Israel, uma nação sob a aliança mosaica, na qual as bênçãos agrícolas estavam ligadas à obediência da aliança (Deuteronômio 28). Usá-lo como promessa de que dar à igreja trará riqueza pessoal é um erro. Malaquias fala do sustento do templo e da fidelidade à aliança. Prometer retorno financeiro a quem contribui contradiz o que Jesus e os apóstolos ensinam, como veremos a seguir.

O que o Novo Testamento diz sobre o dízimo?

Aqui está o ponto em que cristãos sérios divergem, e é honesto dizer isso.

Jesus menciona o dízimo ao repreender os fariseus: "Ai de vós... que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas" (Mateus 23.23). Ele não aboliu o dízimo, mas colocou-o abaixo da justiça e da misericórdia.

O Novo Testamento não repete um mandamento explícito de dízimo para a igreja. Em vez disso, ensina:

  • Sustento dos que ensinam. "Assim também ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho" (1 Coríntios 9.14); "O que é instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui" (Gálatas 6.6).
  • Contribuição regular e proporcional. "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade" (1 Coríntios 16.2).
  • Generosidade voluntária e alegre. "Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria" (2 Coríntios 9.7).
  • Ajuda aos necessitados, como as ofertas das igrejas para os irmãos de Jerusalém (2 Coríntios 8-9).

Por isso há duas posições respeitadas entre os cristãos: uns entendem o dízimo como princípio permanente, a "régua mínima" da gratidão; outros veem nele uma instituição do Antigo Pacto que o Novo substitui por uma generosidade proporcional, que pode ser maior ou menor que 10%. Em ambas, a ideia central é a mesma: o cristão contribui regularmente, proporcionalmente e com alegria.

Por que a igreja fala sobre isso?

Por duas razões. Primeira: a Bíblia fala. Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre muitos outros temas, e Paulo dedicou capítulos a ofertas. Calar sobre o assunto seria deixar de ensinar o que as Escrituras ensinam. Veja o conjunto em o que a Bíblia diz sobre dinheiro.

Segunda: a igreja tem despesas reais, como manutenção do templo, contas, sustento pastoral e obra de misericórdia. Ela não é mantida por patrocínio, e sim pela contribuição de seus membros e frequentadores que desejam apoiá-la.

Como deve ser a contribuição, segundo os textos?

Resumo dos princípios:

Princípio Fonte
Voluntária, nunca forçada 2 Coríntios 9.7
Alegre 2 Coríntios 9.7
Regular, planejada 1 Coríntios 16.2
Proporcional ao que se tem 1 Coríntios 16.2; 2 Coríntios 8.12
Em primeiro lugar a Deus Provérbios 3.9
Sem ostentação Mateus 6.2-4
Em sinceridade, sem hipocrisia Atos 5.1-11

O texto de 2 Coríntios 8.12 é libertador: "Se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem, e não conforme o que não tem." Deus não pede o que a pessoa não possui.

Preciso dar o dízimo para ser salvo?

Não. A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo, e não por nenhuma obra, incluindo a contribuição (Efésios 2.8-9). A contribuição é fruto da gratidão, não preço da salvação. Ninguém compra a bênção de Deus com ofertas; o próprio Pedro repreendeu Simão, o mágico, que quis comprar o dom de Deus com dinheiro (Atos 8.18-20).

Também não é correto dizer que quem não dá o dízimo está "amaldiçoado". A maldição da lei foi levada por Cristo (Gálatas 3.13). O cristão que não contribui perde a oportunidade de participar da obra e de crescer em generosidade, mas não está sob maldição.

E se eu estou sem condições?

Quem passa por aperto financeiro não deve ser pressionado a contribuir, nem se sentir envergonhado. "Se alguém não tem cuidado dos seus, negou a fé" (1 Timóteo 5.8), diz Paulo: o sustento básico da família vem antes. A viúva pobre que deu duas moedinhas foi elogiada por Jesus não pelo valor, mas pela disposição (Marcos 12.41-44). Converse com o pastor, que pode orientar com sensibilidade; veja também dívidas e consumo à luz da fé.

Nesse caso, outras formas de contribuir importam: tempo, serviço, orações, hospitalidade, talentos.

Deus devolve em dobro a quem contribui?

Não. A Bíblia não promete retorno financeiro a quem dá. 2 Coríntios 9.6-8 fala de colher "generosamente" quem semeia com generosidade, mas o contexto é de graça abundante para toda boa obra e de crescimento espiritual, não de enriquecimento. Dar esperando lucro é transformar a oferta em negócio. A recompensa prometida é espiritual e eterna (Mateus 6.19-21): "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração."

Como contribuir na IP Pioneira?

Quem deseja contribuir pode ver as informações em contribua. Contribuição é sempre livre; ninguém é cobrado. Se tiver dúvidas, converse com o pastor em fale conosco.

Perguntas frequentes

O dízimo é obrigatório para o cristão?

Não há mandamento explícito de dízimo para a igreja no Novo Testamento. Cristãos divergem se o dízimo é princípio permanente ou instituição do Antigo Pacto, mas todos concordam que a contribuição deve ser regular, proporcional, voluntária e alegre.

O dízimo é sobre o salário bruto ou líquido?

A Bíblia não detalha isso, e a decisão fica à consciência de cada um, diante de Deus. O importante é dar com sinceridade e generosidade, sem obsessão por cálculos.

Dízimo e oferta são a mesma coisa?

Não. O dízimo, na Bíblia, era a décima parte; as ofertas eram contribuições adicionais e voluntárias (Malaquias 3.8). Hoje a igreja costuma falar em dízimos e ofertas, mas o princípio comum é a generosidade.

Posso escolher onde dar o dízimo?

A orientação bíblica é sustentar a igreja onde se é alimentado pela Palavra e pelos sacramentos (Gálatas 6.6). Além disso, a generosidade pode alcançar outras necessidades e obras.

Quem não dá o dízimo é amaldiçoado?

Não. Cristo levou a maldição da lei (Gálatas 3.13). A contribuição é resposta de gratidão, e não forma de evitar maldição ou de comprar bênção.