Ressurreição de Jesus — o que é e por que ela importa

O que é a ressurreição de Jesus e por que ela importa? Veja as evidências bíblicas, o que ela confirma e o que muda para quem crê em Cristo.

Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min

A ressurreição de Jesus é o acontecimento em que, no terceiro dia depois de ser crucificado e sepultado, Jesus voltou à vida em corpo glorificado, vencendo a morte. É o centro da fé cristã: Paulo escreve que, se Cristo não ressuscitou, a pregação e a fé cristãs são vãs (1 Coríntios 15.14). Ela importa porque confirma quem Jesus é, mostra que o sacrifício dele foi aceito por Deus e garante a esperança de vida eterna a quem crê.

Páscoa, para o cristão, não é chocolate nem coelho; é a celebração desse acontecimento. Vamos entender o que a Bíblia afirma, em que ela se apoia e o que isso significa.

O que a Bíblia diz que aconteceu?

Os quatro Evangelhos concordam no essencial:

  1. Jesus foi crucificado numa sexta-feira e sepultado num túmulo novo, cavado na rocha.
  2. Uma pedra foi rolada à entrada, e o túmulo foi selado e guardado por soldados (Mateus 27.62-66).
  3. No domingo de manhã, mulheres foram ao túmulo e o encontraram vazio (Lucas 24.1-3).
  4. Anjos anunciaram: "Não está aqui, ressuscitou, como tinha dito" (Mateus 28.6).
  5. Jesus apareceu vivo a Maria Madalena, aos discípulos, a dois homens a caminho de Emaús e a muitos outros, durante quarenta dias (Atos 1.3).

Não se trata de uma "ressurreição espiritual" simbólica. Os Evangelhos insistem em que o corpo era real: Jesus comeu peixe diante deles e mandou Tomé tocar suas feridas (Lucas 24.39-43; João 20.27). Era o mesmo corpo, agora glorificado, e não um fantasma.

Quais são as evidências?

Sem pretender "provar" pela razão tudo o que a fé recebe, há razões sérias para considerar o relato:

  • O túmulo vazio. Jerusalém era o lugar onde se poderia checar o fato. Os adversários não apresentaram o corpo; pelo contrário, espalharam que os discípulos o roubaram (Mateus 28.11-15), o que admite que o túmulo estava vazio.
  • As aparições a muitas pessoas. Paulo lista testemunhas e diz que mais de quinhentas viram Jesus de uma vez, a maioria ainda viva quando ele escreveu (1 Coríntios 15.5-8). Era um convite a conferir.
  • A transformação dos discípulos. Homens que fugiram com medo na hora da prisão passaram a anunciar a ressurreição em público, mesmo com ameaças e perseguição. Muitos aceitaram o martírio por isso, o que é difícil de explicar se soubessem que era mentira.
  • Testemunhas inesperadas. Tiago, irmão de Jesus, que antes não cria nele (João 7.5), e Paulo, perseguidor da igreja, mudaram de lado.
  • O início da igreja. Uma comunidade que adora um Messias crucificado só faz sentido se algo extraordinário aconteceu.

É claro que quem rejeita o sobrenatural por princípio vai procurar outras explicações. Mas elas precisam lidar com todas essas evidências juntas.

Por que a ressurreição importa tanto?

Paulo, em 1 Coríntios 15, dá várias razões. Resumindo:

1. Confirma que Jesus é quem disse ser. Ele anunciou que ressuscitaria (Mateus 16.21). A ressurreição o declara "Filho de Deus com poder" (Romanos 1.4).

2. Mostra que o sacrifício foi aceito. Cristo "foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para nossa justificação" (Romanos 4.25). Se ele continuasse no túmulo, não teríamos garantia de que a dívida do pecado foi paga. Leia Por que Jesus morreu na cruz.

3. Vence a morte. "Onde está, ó morte, a tua vitória?" (1 Coríntios 15.55). A morte, inimiga da humanidade, foi derrotada. Cristo é as "primícias" (1 Coríntios 15.20), isto é, o primeiro fruto de uma colheita maior: os que são dele também ressuscitarão.

4. Dá esperança real. Não apenas "a alma sobrevive", mas "o corpo será ressuscitado". Isso muda a maneira de encarar o luto e o sofrimento.

5. Dá poder para viver. O mesmo Espírito que ressuscitou Cristo habita no crente (Romanos 8.11). A vida cristã não é imitação de um mestre morto, mas comunhão com um Senhor vivo.

E se a ressurreição for falsa?

Paulo encara a hipótese sem rodeios: "Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé; ainda permaneceis nos vossos pecados... Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais infelizes de todos os homens" (1 Coríntios 15.17,19).

É uma honestidade rara em textos religiosos. O cristianismo não se sustenta como uma bela filosofia; depende de um fato histórico. Por isso vale investigar. Muita gente que se propôs a refutar a ressurreição acabou por reconsiderar. Quem lê os Evangelhos com atenção percebe um relato sóbrio, que inclui detalhes constrangedores, como as mulheres sendo as primeiras testemunhas (algo pouco valorizado na época) e a dúvida dos próprios discípulos.

A ressurreição de Jesus é igual à de Lázaro?

Não. Lázaro foi ressuscitado por Jesus e voltou à vida mortal; morreu depois, de novo (João 11). Jesus ressuscitou para nunca mais morrer, com corpo glorificado. "Cristo, tendo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele" (Romanos 6.9). É essa a esperança do crente: um corpo ressurreto, definitivo.

O que a ressurreição significa para mim hoje?

Se Jesus está vivo, então:

  • Posso orar a alguém que me ouve.
  • Posso ter perdão de quem tem poder para concedê-lo.
  • Posso enfrentar a morte sem pânico, porque ela não tem a última palavra.
  • Posso ser chamado a seguir um Senhor real, e não uma ideia.

A resposta que a Bíblia pede é a de confiar nele. Leia O que é o evangelho para entender essa mensagem inteira. E, se quiser ouvir a Bíblia explicada sobre isso, as pregações estão em Pregações.

Como cristãos de diferentes épocas entenderam a ressurreição?

Desde o início, a igreja a confessou nos credos: "ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos". O Catecismo Maior de Westminster e o Breve Catecismo, adotados pela nossa igreja, ensinam que a ressurreição faz parte da exaltação de Cristo: depois da humilhação (nascimento, vida, morte e sepultamento), Cristo foi exaltado ao ressuscitar, subir ao céu, assentar-se à direita do Pai e voltar para julgar. Ela é vista como a prova de que o Pai aceitou o sacrifício e como a garantia da nossa própria ressurreição.

Qual o sentido do domingo para os cristãos?

Como Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana (Lucas 24.1), os cristãos, já nos tempos dos apóstolos, passaram a se reunir nesse dia para adorar (Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2; Apocalipse 1.10, "dia do Senhor"). Por isso o domingo é, para nós, um pequeno memorial semanal da ressurreição: toda semana, a igreja se reúne para ouvir a Palavra e celebrar que o Senhor vive. Os horários dos cultos estão em Cultos.

E se eu tenho dúvidas sobre milagres?

É uma dificuldade honesta. Milagres são, por definição, eventos fora do curso comum, e quem parte do princípio de que eles não podem acontecer terá razão para rejeitá-los antes de examinar. Mas se Deus existe e criou o mundo, não há contradição em que aja de forma extraordinária. O que a Bíblia pede não é abrir mão da razão, e sim examinar as evidências com a mente aberta. Se o Criador existe, é razoável esperar que um acontecimento decisivo na história humana tenha sinais igualmente decisivos. Quem tiver perguntas pode levá-las ao pastor, na página Fale conosco, sem compromisso.

Perguntas frequentes

Jesus realmente ressuscitou?

A Bíblia afirma que sim, e apresenta o túmulo vazio, aparições a muitas testemunhas e a transformação dos discípulos como base. A fé cristã depende desse fato.

Por que Jesus ressuscitou no terceiro dia?

A Bíblia diz que isso ocorreu "segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15.4), e Jesus o anunciou de antemão. O terceiro dia é o domingo, e é por isso que cristãos se reúnem no domingo, o dia do Senhor.

O que é Páscoa para os cristãos?

É a celebração da ressurreição de Jesus. O nome lembra a Páscoa judaica, em que Deus libertou Israel do Egito, e aponta para Cristo, o Cordeiro que livra do pecado e da morte.

A ressurreição de Jesus pode ser provada?

Há evidências históricas fortes, mas a fé nunca é só dedução: é confiança concedida por Deus. Quem investiga com sinceridade encontra boas razões para crer.