Por que existe sofrimento se Deus é bom? Uma resposta bíblica
Por que existe sofrimento se Deus é bom? Veja o que a Bíblia ensina sobre o mal, a soberania de Deus, a cruz e o consolo para quem sofre hoje.
Igreja Presbiteriana Pioneira · leitura de 7 min
A Bíblia responde à pergunta por que existe sofrimento se Deus é bom de duas formas que andam juntas: o sofrimento e a morte entraram no mundo por causa do pecado, e Deus, que governa soberanamente todas as coisas, não é autor do mal, mas o usa para fins bons e sábios que nem sempre vemos. E, o mais importante, ele não ficou distante: em Jesus Cristo, entrou no sofrimento, levou o castigo do pecado na cruz e promete eliminar o mal para sempre.
Essa resposta não elimina a dor, e não deve ser usada para silenciar quem sofre. Se você está passando por algo grave agora, comece pela seção final deste texto. O restante responde à pergunta com a honestidade que ela merece.
A Bíblia nega ou minimiza o sofrimento?
Ao contrário: ela é cheia dele. Quase um terço dos Salmos são lamentos. Jó perde filhos, bens e saúde e protesta. Jeremias chora. Jesus é chamado "homem de dores, e que sabe o que é padecer" (Isaías 53.3), chora diante do túmulo do amigo (João 11.35) e suplica no Getsêmani em angústia (Lucas 22.44). A fé bíblica não exige que a pessoa finja serenidade. Os Salmos ensinam a levar a dor a Deus em voz alta.
De onde vem o sofrimento?
A Bíblia conta que Deus criou o mundo "muito bom" (Gênesis 1.31). O mal e a morte entraram pela rebelião humana: "por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte" (Romanos 5.12). Desde então, a criação inteira "geme" (Romanos 8.22). Há sofrimento que vem do pecado dos outros (violência, injustiça), sofrimento que vem de nossas próprias escolhas, e sofrimento que parece não ter causa visível, como doenças e desastres naturais.
Um detalhe importante: a Bíblia não ensina que cada sofrimento individual é castigo por um pecado específico. Jesus recusou essa lógica diante do cego de nascença: "Nem ele pecou nem seus pais" (João 9.3). Quem sofre não deve ser acusado, e quem não sofre não deve se achar melhor.
Deus é culpado pelo mal?
Essa é a objeção mais séria, e a tradição reformada a enfrenta sem se esquivar. A Confissão de Fé de Westminster ensina a soberania de Deus e a providência: Deus sustenta e governa todas as criaturas e acontecimentos, sem que nada escape ao seu plano. Ao mesmo tempo, afirma que ele não é o autor do pecado nem se compraz com ele, e que a responsabilidade moral por fazer o mal é de quem o faz.
A Bíblia mantém as duas verdades juntas, sem explicar como se encaixam por inteiro. Veja a história de José: seus irmãos o venderam como escravo por inveja, e isso foi mau. Muitos anos depois, José lhes disse: "Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve em vida um povo grande" (Gênesis 50.20). O mesmo evento: a maldade deles e o plano bom de Deus.
O caso maior é a cruz. Os homens que mataram Jesus agiram com maldade e foram culpados; Pedro afirma que isso aconteceu "pelo determinado desígnio e presciência de Deus" (Atos 2.23). A morte mais injusta da história foi o meio da maior bênção. Veja Por que Jesus morreu na cruz.
Alguns irmãos, como os arminianos, preferem ênfase maior no livre-arbítrio humano e na ideia de que Deus permite o mal sem determiná-lo. Respeitamos essa preocupação, que é pastoral e sincera. Mas entendemos que a Escritura, ao dizer que Deus "faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1.11) e que "o Senhor... forma a luz e cria as trevas, faz a paz e cria o mal" (Isaías 45.7), nos leva a confiar em um Deus que não perde o controle em nenhuma dor.
Que fins bons Deus pode ter no sofrimento?
A Bíblia não dá uma explicação para cada caso, e quem promete conhecê-la mente. Mas indica alguns propósitos:
- Aproximar-nos de Deus. "Foi bom para mim ter sido afligido, para que aprendesse os teus decretos" (Salmo 119.71).
- Formar caráter. "A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança" (Romanos 5.3-4).
- Nos ensinar a confiar. Paulo aprendeu a não confiar em si, "mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2 Coríntios 1.9).
- Nos tornar consoladores. Deus nos consola "para que, pela consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estiverem em qualquer angústia" (2 Coríntios 1.4).
- Expor o pecado e o juízo, lembrando que o mundo não é como deveria ser.
Observe a diferença: isso não significa que a dor seja boa em si, nem que quem sofre deva "sorrir". O mal continua sendo mal. Mas Deus, em sua sabedoria, não desperdiça a dor. Romanos 8.28 diz que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus", sem dizer que todas as coisas são boas.
Onde Deus está no meu sofrimento?
A resposta cristã mais profunda não é uma explicação, e sim uma pessoa. O Deus da Bíblia entrou no sofrimento. Em Jesus, ele nasceu em pobreza, foi rejeitado, traído, torturado e morto. Hebreus afirma que Jesus pode "compadecer-se das nossas fraquezas", pois foi tentado em tudo como nós (Hebreus 4.15). Não temos um Deus que observa de longe.
E a cruz não é só solidariedade: é vitória. Nela, Deus tratou do pior mal, o pecado, e a ressurreição mostra que a morte não tem a última palavra. Veja A ressurreição de Jesus e por que importa.
O sofrimento vai acabar?
Sim. A Bíblia termina com a promessa de que Deus "enxugará dos seus olhos toda lágrima; e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor" (Apocalipse 21.4). Paulo diz que "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir a ser revelada em nós" (Romanos 8.18). Não é anestesia para o presente; é a certeza de que o sofrimento não tem a palavra final. Para o crente, a promessa é segura; veja o que a Bíblia diz em O que é o céu e o inferno.
E se eu estiver sofrendo agora?
Algumas coisas práticas, sem fórmulas:
- Não precisa fingir. Leve sua dor a Deus em oração, como os salmistas fizeram. O Salmo 13 e o Salmo 88 são honestos até o limite.
- Não fique sozinho. A Bíblia diz: "Chorai com os que choram" (Romanos 12.15). Procure irmãos e o pastor, que pode ser contatado em Fale conosco.
- Busque ajuda profissional quando a dor for muito intensa: luto prolongado, depressão, pensamentos de desistir da vida, violência doméstica, dependência. Procurar um médico ou psicólogo não é falta de fé; é cuidado, e a igreja o apoia. Em caso de risco imediato, procure um serviço de emergência.
- Lembre-se de que Deus ouve. Ele "cura os quebrantados de coração e lhes ata as feridas" (Salmo 147.3). A Bíblia não promete que a dor passará logo nem que as respostas virão como esperamos; promete que ele está perto dos que o invocam (Salmo 145.18).
Perguntas frequentes
Por que Deus permite o sofrimento?
A Bíblia ensina que o sofrimento veio com o pecado e que Deus, soberano, o usa para fins sábios, ainda que nem sempre os vejamos. Ele não é indiferente: em Cristo, sofreu por nós e promete acabar com o mal.
O sofrimento é castigo de Deus?
Nem sempre. Jesus rejeitou a ideia de que toda dor é castigo por um pecado específico (João 9.3). Há sofrimento que vem das consequências de nossos atos, mas a Bíblia não autoriza a ligar cada dor a uma culpa pessoal.
Deus quer que eu sofra?
Deus não se compraz na dor, mas a Bíblia ensina que ele a governa e a usa para o bem de seus filhos. Isso não significa que você deva procurar o sofrimento ou tolerar abuso; significa que você pode confiar que ele não o abandona.
Como confiar em Deus quando tudo desmorona?
Pedindo isso a ele. Muitos salmos começam em desespero e terminam em confiança. Leia-os, ore com eles e conte com o apoio de outros crentes. A confiança que a Bíblia descreve não é ausência de lágrimas, mas descanso em quem governa tudo.